Forgetting the past and moving forward?, 1/3
Esquecendo o passado e seguindo em frente? 1/3
Olá a todos,
E se um versículo em que acreditaste durante anos, afinal não dissesse aquilo que pensavas que dizia?
Isso significaria que estás a basear as tuas expectativas em relação a Deus em algo com que Deus não colabora, porque Ele nunca pretendeu comunicar aquilo que entendeste que significava. Isso explicaria porque te tens sentido impotente nos teus esforços (porque Ele não está nisso, já que não foi isso que Ele disse).
O versículo:
“...uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim...” Filipenses 3:13
No grego, o versículo não diz para esquecer o passado. Diz para “negligenciar, ignorar, deixar de se preocupar com” o passado.
“...uma coisa faço: negligenciando, ignorando, deixando de me preocupar com o passado, e avançando para as coisas que estão diante de mim...”
Isto muda tudo, não muda? Ele não está a esquecer; está a negligenciar e a deixar de se preocupar com a sua vida passada.
Muitos leram traduções em inglês e pensam que Paulo esqueceu completamente o seu passado e que devem fazer o mesmo. O conflito surge porque não conseguimos esquecer o passado; Deus deixou o passado nas nossas memórias. Ficamos em conflito, perguntando-nos como pode Deus esquecer o nosso passado enquanto nós lutamos com as memórias, a culpa e a condenação. A resposta simples: o versículo não diz para esquecer, diz para deixar de se preocupar, para ignorar e negligenciar o teu passado.
Aqui está o estudo da palavra “esquecer”: A palavra grega é “epilanthanomai”. Epi-lanthano-mai é composta por “epi”, que significa “sobre” ou “aplicar-se a”, e “lanthano”, que significa “escapar à atenção”.
Paulo faz um jogo de palavras usando opostos em torno da palavra “epi”, que significa “sobre” ou “aplicar-se a”. Ele diz que se aplica à tarefa de ignorar e deixar de se preocupar com o seu passado, enquanto se aplica totalmente a avançar para as coisas em Cristo que estão à sua frente.
“Uma coisa faço: negligenciando, ignorando, deixando de me preocupar com o meu passado (epi-lanthan) e avançando (epi-kteino) para as coisas que estão adiante...”
Por outras palavras, ele está a dizer que avança para as coisas em Cristo com a mesma intensidade com que deixa o seu passado escapar à atenção, o negligencia e deixa de se preocupar com ele.
Paulo não esqueceu o seu passado; I Coríntios 15:6-10
“…foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja (ekklesia/reunião de família) de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou”
Podemos ver que Paulo não esqueceu o seu passado, mas ignorou-o em favor da compreensão de que “pela graça de Deus sou o que sou”. A expressão “nascido fora de tempo” é uma única palavra grega: ektroma. O seu primeiro uso foi no Senado Romano, quando uma proposta de lei era apresentada numa comissão para consideração. Se essa proposta fosse rejeitada, dizia-se que tinha sofrido um ektroma — um aborto. A proposta tinha sido abortada. Mais tarde, a palavra passou a ser usada para descrever um aborto ou um aborto espontâneo na gravidez.
Também era usada naquele tempo para significar um nascimento prematuro, fora de tempo. Paulo conhecia e lembrava-se bem da profundidade do seu pecado passado, afirmando aqui que sentia que a sua vida era como um aborto, ou alguém que deveria ter sido abortado. Estava a enfatizar que, de facto, tinha nascido, mas sentia-se deslocado porque tantos outros tinham estado presentes no ministério de Jesus, e ele perdeu tanto o ministério de Jesus como a Sua ressurreição. Mais de 500 pessoas viram o Senhor ressuscitado ao mesmo tempo, mas Paulo não, por isso sentia que tinha nascido na altura errada, desenquadrado em relação aos outros e, pior ainda, tinha perseguido o corpo de Cristo.
Quantos cristãos se sentem como Paulo — olhando para trás e percebendo que tiveram oportunidades para conhecer o Senhor, mas não o fizeram? Ou conheceram o Senhor, caíram novamente no pecado e depois regressaram a Ele, carregando culpa do tempo em que andaram perdidos no mundo? Quantos sentem que as suas vidas deveriam ter sido abortadas, que não eram realmente desejados, ou cresceram num lar onde nunca sentiram que pertenciam verdadeiramente? Quantos não conseguem esquecer o passado e precisam de saber como guardar as lições sem carregar a dor associada?
Podemos aprender com o exemplo de Paulo. Ele foi muito transparente ao partilhar que sentia que a sua vida era um ektroma — um aborto sobrevivente, poderíamos dizer. Em Gálatas 1:15-16 Paulo concluiu: “Mas, quando aprouve a Deus que eu nascesse vivo, (desde o ventre de minha mãe me separou), e me chamou pela sua graça, para Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios…”
Em algum momento Paulo teve de chegar ao fim de si mesmo, ao fim dos seus argumentos sobre porque o Senhor não o podia amar, salvar ou chamar, e simplesmente concluir:
“Pela graça de Deus sou o que sou” e “aprouve a Deus que eu nascesse vivo” (não um ektroma). Em Efésios 3:8 ele disse: “E a mim, que sou o menor de todos os santos, foi dada esta graça...” O seu passado estava sempre presente. Não havia aquela conversa psicológica moderna de que basta esquecer o passado — não. Paulo lembrava-se do seu passado, lembrava-se daquilo de que tinha sido salvo, lembrava-se da graça extrema que lhe tinha sido concedida. ESSA é a solução. Não tentar “superar” o passado, mas vê-lo à luz de Cristo, chegar ao fim de nós mesmos e descansar na Sua graça e amor insondáveis.
Até ao seu filho na fé, Timóteo, Paulo escreve na sua primeira carta:
“...Cristo Jesus veio a este mundo” (trazendo para o assunto a pré-existência de Cristo e, portanto, o Seu conhecimento prévio da vida de Paulo) “para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” Isto foi escrito 2 a 4 anos antes da sua morte, não quando ele era novo na fé. Paulo estava plenamente consciente e lembrava-se do seu passado. I Timóteo 1:15
Talvez isto seja um pensamento novo para alguns: as Escrituras ensinam-nos, através da vida de Paulo, que não devemos esquecer o passado, mas aprender com ele, deixar de nos preocupar com o nosso passado, mas mantermos a consciência dele para permanecermos continuamente cientes da Sua graça. No versículo seguinte, depois de escrever que era o principal dos pecadores, ele diz:
“Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna.”
Se (quando) lutarmos com o nosso passado, lembremo-nos da vida de Paulo. O Senhor mostrou deliberadamente grande paciência para com o perseguidor do corpo de Cristo como modelo, como exemplo para aqueles de nós que mais tarde viriam a conhecer o Senhor.
A graça que recebeste na vida é um exemplo para aqueles que te conhecem. Se tu podes ser salvo, eles também podem.
Considera também que, quando Paulo foi chamado perante Festo (procurador/tesoureiro), em Actos 24, e perante Herodes Agripa II, em Actos 26, ele não lhes pregou nem tentou ensinar-lhes nada. Limitou-se a dar o seu testemunho a cada um deles. O nosso testemunho é exatamente a razão pela qual fomos perdoados e capacitados para recordar o pecado do qual fomos libertos.
Pára de olhar constantemente para trás, pára de manter o passado vivo — lembra-te dele, sim, mas lembra-te com igual importância da graça que recebeste.
Se Paulo pôde ser salvo, nós também podemos. Se Paulo conseguiu continuar a sua vida e ministério lembrando-se do seu passado, nós também conseguimos.
Na próxima semana: Na próxima semana: como podemos sarar completamente do nosso passado e de toda a culpa, condenação e dor causadas por esses tempos? Até lá, bênçãos,
John Fenn
cwowi.org e envie-me email para [email protected]
Esquecendo o passado e seguindo em frente? 1/3
Olá a todos,
E se um versículo em que acreditaste durante anos, afinal não dissesse aquilo que pensavas que dizia?
Isso significaria que estás a basear as tuas expectativas em relação a Deus em algo com que Deus não colabora, porque Ele nunca pretendeu comunicar aquilo que entendeste que significava. Isso explicaria porque te tens sentido impotente nos teus esforços (porque Ele não está nisso, já que não foi isso que Ele disse).
O versículo:
“...uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim...” Filipenses 3:13
No grego, o versículo não diz para esquecer o passado. Diz para “negligenciar, ignorar, deixar de se preocupar com” o passado.
“...uma coisa faço: negligenciando, ignorando, deixando de me preocupar com o passado, e avançando para as coisas que estão diante de mim...”
Isto muda tudo, não muda? Ele não está a esquecer; está a negligenciar e a deixar de se preocupar com a sua vida passada.
Muitos leram traduções em inglês e pensam que Paulo esqueceu completamente o seu passado e que devem fazer o mesmo. O conflito surge porque não conseguimos esquecer o passado; Deus deixou o passado nas nossas memórias. Ficamos em conflito, perguntando-nos como pode Deus esquecer o nosso passado enquanto nós lutamos com as memórias, a culpa e a condenação. A resposta simples: o versículo não diz para esquecer, diz para deixar de se preocupar, para ignorar e negligenciar o teu passado.
Aqui está o estudo da palavra “esquecer”: A palavra grega é “epilanthanomai”. Epi-lanthano-mai é composta por “epi”, que significa “sobre” ou “aplicar-se a”, e “lanthano”, que significa “escapar à atenção”.
Paulo faz um jogo de palavras usando opostos em torno da palavra “epi”, que significa “sobre” ou “aplicar-se a”. Ele diz que se aplica à tarefa de ignorar e deixar de se preocupar com o seu passado, enquanto se aplica totalmente a avançar para as coisas em Cristo que estão à sua frente.
“Uma coisa faço: negligenciando, ignorando, deixando de me preocupar com o meu passado (epi-lanthan) e avançando (epi-kteino) para as coisas que estão adiante...”
Por outras palavras, ele está a dizer que avança para as coisas em Cristo com a mesma intensidade com que deixa o seu passado escapar à atenção, o negligencia e deixa de se preocupar com ele.
Paulo não esqueceu o seu passado; I Coríntios 15:6-10
“…foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja (ekklesia/reunião de família) de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou”
Podemos ver que Paulo não esqueceu o seu passado, mas ignorou-o em favor da compreensão de que “pela graça de Deus sou o que sou”. A expressão “nascido fora de tempo” é uma única palavra grega: ektroma. O seu primeiro uso foi no Senado Romano, quando uma proposta de lei era apresentada numa comissão para consideração. Se essa proposta fosse rejeitada, dizia-se que tinha sofrido um ektroma — um aborto. A proposta tinha sido abortada. Mais tarde, a palavra passou a ser usada para descrever um aborto ou um aborto espontâneo na gravidez.
Também era usada naquele tempo para significar um nascimento prematuro, fora de tempo. Paulo conhecia e lembrava-se bem da profundidade do seu pecado passado, afirmando aqui que sentia que a sua vida era como um aborto, ou alguém que deveria ter sido abortado. Estava a enfatizar que, de facto, tinha nascido, mas sentia-se deslocado porque tantos outros tinham estado presentes no ministério de Jesus, e ele perdeu tanto o ministério de Jesus como a Sua ressurreição. Mais de 500 pessoas viram o Senhor ressuscitado ao mesmo tempo, mas Paulo não, por isso sentia que tinha nascido na altura errada, desenquadrado em relação aos outros e, pior ainda, tinha perseguido o corpo de Cristo.
Quantos cristãos se sentem como Paulo — olhando para trás e percebendo que tiveram oportunidades para conhecer o Senhor, mas não o fizeram? Ou conheceram o Senhor, caíram novamente no pecado e depois regressaram a Ele, carregando culpa do tempo em que andaram perdidos no mundo? Quantos sentem que as suas vidas deveriam ter sido abortadas, que não eram realmente desejados, ou cresceram num lar onde nunca sentiram que pertenciam verdadeiramente? Quantos não conseguem esquecer o passado e precisam de saber como guardar as lições sem carregar a dor associada?
Podemos aprender com o exemplo de Paulo. Ele foi muito transparente ao partilhar que sentia que a sua vida era um ektroma — um aborto sobrevivente, poderíamos dizer. Em Gálatas 1:15-16 Paulo concluiu: “Mas, quando aprouve a Deus que eu nascesse vivo, (desde o ventre de minha mãe me separou), e me chamou pela sua graça, para Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios…”
Em algum momento Paulo teve de chegar ao fim de si mesmo, ao fim dos seus argumentos sobre porque o Senhor não o podia amar, salvar ou chamar, e simplesmente concluir:
“Pela graça de Deus sou o que sou” e “aprouve a Deus que eu nascesse vivo” (não um ektroma). Em Efésios 3:8 ele disse: “E a mim, que sou o menor de todos os santos, foi dada esta graça...” O seu passado estava sempre presente. Não havia aquela conversa psicológica moderna de que basta esquecer o passado — não. Paulo lembrava-se do seu passado, lembrava-se daquilo de que tinha sido salvo, lembrava-se da graça extrema que lhe tinha sido concedida. ESSA é a solução. Não tentar “superar” o passado, mas vê-lo à luz de Cristo, chegar ao fim de nós mesmos e descansar na Sua graça e amor insondáveis.
Até ao seu filho na fé, Timóteo, Paulo escreve na sua primeira carta:
“...Cristo Jesus veio a este mundo” (trazendo para o assunto a pré-existência de Cristo e, portanto, o Seu conhecimento prévio da vida de Paulo) “para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” Isto foi escrito 2 a 4 anos antes da sua morte, não quando ele era novo na fé. Paulo estava plenamente consciente e lembrava-se do seu passado. I Timóteo 1:15
Talvez isto seja um pensamento novo para alguns: as Escrituras ensinam-nos, através da vida de Paulo, que não devemos esquecer o passado, mas aprender com ele, deixar de nos preocupar com o nosso passado, mas mantermos a consciência dele para permanecermos continuamente cientes da Sua graça. No versículo seguinte, depois de escrever que era o principal dos pecadores, ele diz:
“Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna.”
Se (quando) lutarmos com o nosso passado, lembremo-nos da vida de Paulo. O Senhor mostrou deliberadamente grande paciência para com o perseguidor do corpo de Cristo como modelo, como exemplo para aqueles de nós que mais tarde viriam a conhecer o Senhor.
A graça que recebeste na vida é um exemplo para aqueles que te conhecem. Se tu podes ser salvo, eles também podem.
Considera também que, quando Paulo foi chamado perante Festo (procurador/tesoureiro), em Actos 24, e perante Herodes Agripa II, em Actos 26, ele não lhes pregou nem tentou ensinar-lhes nada. Limitou-se a dar o seu testemunho a cada um deles. O nosso testemunho é exatamente a razão pela qual fomos perdoados e capacitados para recordar o pecado do qual fomos libertos.
Pára de olhar constantemente para trás, pára de manter o passado vivo — lembra-te dele, sim, mas lembra-te com igual importância da graça que recebeste.
Se Paulo pôde ser salvo, nós também podemos. Se Paulo conseguiu continuar a sua vida e ministério lembrando-se do seu passado, nós também conseguimos.
Na próxima semana: Na próxima semana: como podemos sarar completamente do nosso passado e de toda a culpa, condenação e dor causadas por esses tempos? Até lá, bênçãos,
John Fenn
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