Conhecendo o Espírito da Verdade: Parte 2 de 3
Olá a todos,
Precisei aumentar esta série para três partes em vez de duas — há tanto a dizer! Então esta é a parte 2, e a parte 3 sairá na próxima semana.
Para a lição de hoje imaginem que estamos a construir um banco com três pés. Cada princípio que vos apresento é como um pé desse banco.
Aqui está o primeiro dos 3 pés:
Primeiro pé do banco para nos tornarmos sensíveis ao Espírito da Verdade:
Não formo uma opinião até perceber algo no meu espírito acerca de determinada pessoa ou da sua experiência, ensino ou afirmação sobre o que Deus lhe disse. Frequentemente pergunto: “Pai, o que pensas disto?” Ou, se se refere a algo no corpo de Cristo: “O que pensas disto, Senhor?” (ex: algum ensino, algo que estejam a fazer, etc…).
Por exemplo, no final de 2001, depois dos ataques de 11 de setembro, o Congresso dos EUA aprovou uma lei chamada “The Patriot Act”. Houve muita controvérsia porque alargava a vigilância governamental a cidadãos norte-americanos, ou qualquer pessoa nos EUA, sem mandatos oficiais. Com tantas vozes tomando posição a favor ou contra, perguntei: “Pai, o que achas do Patriot Act?” Ele imediatamente respondeu, num modo muito típico de evitar uma resposta direta: “As leis que forem aprovadas para proteger o meu povo um dia serão usadas contra ele.”
É aí que a minha opinião começa e termina — com A opinião dele. Não procuro mais até que Ele acrescente algo sobre o assunto, ou me permita ver reportagens que forneçam mais informação. Então sei que me cabe fazer a minha própria pesquisa antes de formar uma opinião. Se alguém fizer uma afirmação a favor ou contra alguém, alguma informação, sonho, visão, visita que alguém diz ter tido, mas o Pai ou o Senhor permanecem em silêncio sobre isso, cabe-me exercer a devida diligência para discernir. (“Devida diligência” significa aquilo que se espera que uma pessoa razoável faça antes de entrar num acordo.)
Não formar opinião, ou pelo menos aguardar mais informação ou pesquisa, também me ajudou a caminhar em amor. Na maioria das vezes, o Senhor está em silêncio sobre o que ele pensa. Na maior parte das vezes, o seu silêncio significa que a resposta já foi revelada na Palavra escrita, ou que eu já sei a resposta por senso comum e lógica, ou que devo procurá-la por mim mesmo.
Geralmente não formo opinião porque não me importo com as reivindicações ou posição de alguém, então não vou mais adiante. Poucas coisas merecem investigação aprofundada. Essa é a história deles, eles se apresentarão diante de Jesus, não diante de mim, por isso deixo passar. Não é da minha conta, a menos que alguém o faça da minha conta. Então, que importa se eu faria as coisas de modo diferente, que importa se à primeira vista parece que estão errados? É a história deles, não a minha. “Pois o justo viverá pela fé.” Não formo opinião, e sigo em frente mesmo que pareça algo duvidoso.
Outro fator é o medo. As pessoas tomam decisões depois de formarem uma opinião, o que as leva a agir com base no medo — e depois dizem que Deus as guiou. Errado. Foi o medo as guiou, porque juntaram as emoções (medo) ao pensamento e se concentraram (alimentando continuamente) em coisas temerosas, e depois fizeram investimentos ou contraíram dívidas para acumular provisões, ou comprar coisas, tudo enraizado no medo. Quando o calendário ocidental estava a passar do século XX para o XXI, conheci pessoas que venderam propriedades na Califórnia, onde os preços são elevados, e compraram uma quinta mais barata no Arkansas para se prepararem para o colapso da sociedade... disseram que Deus os guiou a fazê-lo, mas numa reflexão mais profunda percebi que as suas ações estavam baseadas em medo. E… os computadores não pararam quando os relógios passaram de 1999 para 2000. Mas eles sofreram grande tensão financeira, conjugal e grandes perdas. Não tomem decisões financeiras baseadas no medo disfarçado de “Deus”.
Dito de outro modo:
Eu quero saber o que se passa ao meu redor, bom e mau, verdade e erro — há muito a ouvir. Mas só dou valor à voz do meu Mestre — percebo outras vozes, mas não as quero ouvir se estiverem em erro. Leio-as até compreender o seu ponto de vista, mas se se desequilibrarem, paro.
Não me ofender é outro benefício de não formar opinião de alguém. O problema é que a maioria das pessoas pensa que em cada resposta ou afirmação há um motivo oculto. Elas leem ou ouvem através da lente da sua dor, rejeição anterior ou ideias preconcebidas. As pessoas projetarão os pecados de quem as feriu sobre ti. Não te ofendas ao perceber que estão a sofrer; volta-te imediatamente para a oração por eles, em vez de formar uma opinião ofendida.
Segundo pé do banco:
Elimina da tua vida toda especulação. Não consumas redes sociais ou outros media que partilhem especulação. Especulação é opinião que não se pode provar por capítulo e versículo, ou por factos. Há diretrizes nesses casos. Primeiramente o bom senso. Ao lado do bom senso está desviar a nossa atenção para o Espírito da Verdade, para ver o que Ele acha do que alguém diz. Se algo não for senso comum e o Espírito da Verdade estiver contristado, então é para rejeitar.
Terceiro pé do banco:
Se não puder ser encontrado diretamente nas Escrituras, ou se não for consistente com os modos do Pai encontrados nas Escrituras, é rejeitado.
Trazendo os três pés juntos: 1. Não formar opinião. Se o Espírito da Verdade estiver em silêncio interior, isso significa usar o bom senso e/ou teu conhecimento da Escritura — ou busca da Escritura — para discernir por ti mesmo. 2. O que é alegado é especulação ou facto? Se for especulação, confia na paz interior ou no “não me parece bem”, e faz tua própria investigação. 3. Se aquilo que é alegado não se encontrar em capítulo e versículo, ou não for consistente com os caminhos de Deus, é rejeitado.
Todos os três são necessários para manter equilíbrio. Todos os três exigem que cada um de nós seja responsável pela sua própria vida, pelo seu próprio caminhar em amor, pelo seu próprio senso comum.
Por exemplo — (não sei onde fui buscar este exemplo…):
Se alguém diz que o arrebatamento ocorrerá numa data específica, as vossas emoções podem querer acreditar nisso porque desejam sair dos fardos da vida, das contas, dos problemas familiares, da dor e da doença. MAS ainda assim não formem opinião. Se essas emoções turvam a vossa capacidade de ouvir o Espírito da Verdade interiormente, então usem o bom senso e buscem nas Escrituras, como faziam os bereanos, para ver se estas coisas são assim, ANTES de formarem opinião. Quando o fizerem, verão que as Escrituras indicam que ainda não chegamos lá — então, apesar do quanto as emoções gostariam que fosse verdade, rejeitem pela lógica e por capítulo e versículo. Isso é um elemento do equilíbrio.
Os relacionamentos são muito importantes — amigos verdadeiros, não os amigos de redes sociais. Igrejas domésticas são baseadas em relacionamentos, não baseadas em auditório ou redes sociais. Os relacionamentos nas Igrejas domésticas ajudam a pessoa a manter equilíbrio, como parte do equilíbrio de uma família de fé maior. Se não frequentas custo domestico em casa, ou pelo menos encontros regulares com um amigo próximo da fé para convívio ou refeição, investe em alguém. Investe em relacionamentos. Não sejas como um passarinho bebé no ninho à espera que a comida lhe caia. Na medida da tua capacidade, aproxima-te de alguém “à deriva” entre igrejas como tu, ou aproxima-te de alguém na igreja auditório que frequentas. Pede ao Pai que te traga alguém à mente ou ao teu caminho que possas conhecer.
Claro que igrejas domésticas, como qualquer igreja de auditório, também se podem desequilibrar, mas as que o fazem são geralmente igrejas que não fazem parte de uma comunhão maior de igrejas — permanecem isoladas, completamente independentes e podem ficar demasiado focadas numa doutrina particular. MAS, em geral, uma igreja doméstica saudável e equilibrada e/ou relações com pessoas equilibradas que por si mesmas estão ligadas a outras e irão amolar as arestas da vida de uma pessoa como uma lixa. Nem sempre é divertido, mas são ajustes necessários pelo caminho.
Como o Senhor me disse numa visitação de 4 de fevereiro de 2001: “Como foi no princípio, assim deve ser agora. Estou a mover-me em relacionamentos.” Verás os três pés dentro de relacionamentos saudáveis em Cristo… mas há mais a dizer sobre ouvir o Espírito da Verdade interiormente. Então até à próxima semana, bênçãos!
John Fenn
cwowi.org e-mail: [email protected]
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