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Usas “sabão espiritual” ou “gel de banho espiritual”? 1/3

9/27/2025

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Do you use spiritual soap, or spiritual body wash? 1/3
Usas “sabão espiritual” ou “gel de banho espiritual”? 1/3
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Olá a todos,

O que quero dizer com “sabão espiritual” ou “gel de banho espiritual”? Isto é uma metáfora para um princípio espiritual muito importante.
 
Vi uma publicação no Instagram de uma esposa a queixar-se de que o marido usa apenas uma barra de sabão no duche para se lavar, passando-a pelo corpo inteiro. Ela perguntava porque é que a pele dele era impecável, enquanto a dela era um constante desafio, mesmo gastando vários minutos de manhã e à noite com diferentes géis de banho e produtos faciais. O rosto dela estava sempre com problemas, desde borbulhas a oleosidade ou secura. “Porquê?”, perguntava ela.
 
Enquanto via, pensei para mim: “Porque o marido usa sabão, mas ela só usa químicos que perturbam os óleos naturais e o equilíbrio da sua pele.” Há aqui uma lição espiritual a aprender.
 
Nos EUA: Sabias que “sabão” é reconhecido como tendo certas propriedades que o definem como tal?
Um produto (nos EUA) não pode chamar-se “sabão” a menos que contenha estes ingredientes, conforme a FDA (Food & Drug Administration), 21 CFR § 701.20. Para poder ser rotulado como “sabão”, um produto tem de cumprir TODAS estas 3 condições:
 
  1. O produto consiste num sal alcalino de ácidos gordos (a combinação de gorduras ou óleos com um álcali como a soda cáustica).
  2. As propriedades detergentes do produto provêm desses compostos de álcali com ácidos gordos.
  3. O produto é rotulado, vendido e apresentado apenas como sabão.
    (Se alegar propriedades hidratantes ou de perfume, passa a ser classificado como cosmético.)
Não existe, nos EUA, uma definição específica para “gel de banho”. “Gel de banho” entende-se como um líquido para o corpo, sendo na sua maioria considerado um cosmético, regulado por requisitos diferentes quanto aos seus ingredientes.
 
A minha descoberta em adolescente
Por tentativa e erro percebi que o sabão verdadeiro afastava as borbulhas do meu rosto, juntamente com o hábito de nunca tocar no rosto com os dedos. Uso esse sabão (Zest) desde então, além do “Grandma’s Lye Soap”, que é muito suave. O sabão verdadeiro mata bactérias, e é por isso que previne ou elimina borbulhas.
 
Muita gente pode estar a lavar-se com algo rotulado como “gel de banho” ou outro produto que não seja “sabão”, a pensar que está a usar sabão, mas fica como aquela esposa da história anterior – sem perceber porque não vê bons resultados. O que não sabem é que, provavelmente, se estão a lavar apenas com químicos que não têm as propriedades do verdadeiro “sabão”.
 
Espiritualmente é a mesma coisa:
Uma pessoa pode estar a “lavar-se” com aquilo que pensa ser a Palavra, mas na realidade não é o verdadeiro “sabão espiritual”. A grande preocupação de Paulo em 2 Coríntios 11:4 era que abandonassem o evangelho que tinham recebido, o Jesus que tinham recebido e o Espírito que tinham recebido, em troca de uma imitação.
 
Alguns podem pensar que estão a usar o sabão genuíno, mas na verdade só usam um “gel de banho”. Podem pensar que acreditam no mesmo evangelho que receberam no início, no mesmo Jesus, no mesmo Espírito, mas quase sem dar por isso trocaram o genuíno por um “gel de banho espiritual” – não o verdadeiro “sabão”.
 
Outro evangelho, outro Jesus, outro Espírito – o que significa isso?
A porta que se abriu para abandonar o sabão verdadeiro em troca do gel de banho, é revelada por Paulo nos versículos a seguir ao v.4. Pois nos versículos 5-11 ele fala de como eles estavam em conflito com ele, não aceitavam o seu ministério, não o apoiavam.
 
Ou seja, estavam ofendidos com ele – e muitas vezes esse é o primeiro passo para abrir a porta à imitação. Alguém não concorda com um ensinamento. Lembro-me de um caso em que alguém me escreveu furioso, a exigir que o retirasse da lista do “Pensamento da Semana”. Fui ver o histórico e essa pessoa já recebia os emails há mais de um ano – ou seja, tinha lido mais de 52 mensagens. Mas foi uma, em particular, que o ofendeu porque não concordou comigo.
 
Escrevi-lhe com a intenção de mostrar a imaturidade e infantilidade das suas expectativas. Perguntei se concordava 100% com o patrão, e se não, porque não se despedia logo ao primeiro desacordo? Perguntei se concordava 100% com a esposa, e se não, porque não se tinha divorciado? Então porque ficava tão zangado comigo por causa de um ensino, depois de mais de um ano a receber aqueles emails, a ponto de exigir ser removido? Não sei o que lhe aconteceu – mas deixei-lhe diante de si a escolha entre continuar na infância ou crescer para a maturidade, espiritualmente falando.
 
A ofensa é muitas vezes mais subtil, disfarçada de “isto já não me diz nada”, e assim a pessoa procura outros que satisfaçam o desejo de sentir arrepios espirituais. Até que um dia, às vezes anos depois de ter acreditado na imitação, acorda e percebe que se desviou do caminho do evangelho genuíno, de Jesus e do Espírito, caindo no erro.
 
Aceitar uma mensagem falsa – como são esses ministérios?
Nos versículos 5-11 Paulo fala da ofensa contra ele, e nos v.12-13 passa a falar dos que apresentam mensagens falsas:
 
¹² E continuarei fazendo o que faço, a fim de não dar oportunidade àqueles que desejam encontrar ocasião de serem considerados iguais a nós nas coisas de que se orgulham.
 
¹³ Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo.
 
A palavra grega em v.13 para “engano” é dolos, que significa “isca, armadilha”. Os que apresentam um evangelho diferente, um outro Jesus, outro Espírito, lançam armadilhas (iscas) às pessoas. Já ouviste a expressão da Internet click bait (isca de cliques)? Refere-se a publicar algo espetacular só para atrair a atenção e levar as pessoas a clicar no link. Aconteceu-me em algumas entrevistas: anunciavam que me iam entrevistar, mas com uma frase sensacionalista como isca. Não digo isto para criticar (até porque não estava no meu controlo), mas para mostrar que Satanás engana muitos com estas mesmas táticas. Só porque clicas num link não significa que tenhas saído do caminho, nem que esse ministério esteja errado – O que pretendo é exemplificar o que Paulo quis dizer quando falou de falsos ministros que lançam iscas para apanhar seguidores.
 
Voltaremos a este tema na próxima semana. Entretanto lembra-te: o caminho que Jesus nos conduz visa sempre desenvolver excelência moral, domínio próprio, consistência nesse domínio, amor fraternal, amor incondicional, alegria, paz, paciência com os outros, perseverança, bondade, etc. – se o que estás a seguir não contribui para formar o caráter de Cristo em ti, ou o fruto do Espírito em ti expresso para os outros, então é preciso examinar porque é que essas “vozes” estão presentes na tua vida.
 
Até para a semana, bênçãos,
John Fenn
cwowi.org | [email protected]
 

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Testemunho de John & Barb, Epílogo 2/2

9/20/2025

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John & Barb's testimony, Epilogue 2/2
Testemunho de John & Barb, Epílogo 2/2
 
Olá a todos,

Vou terminar a série com mais pontos que aprendemos ao longo do caminho...
 
A cultura da alma gémea, da princesa, do “completas-me”
Há anos atrás a “síndrome da princesa” foi diagnosticada na Ásia Oriental. Acontece quando as raparigas são educadas toda a vida a ouvirem que são princesas e crescem a acreditar nisso. Pensam que a vida gira à sua volta — o cabelo, as unhas, a roupa, os interesses, as coisas bonitas — colocando-se no centro das atenções, sem esperar ter de contribuir em nada para os outros. Num casamento, manifesta-se numa esposa que nada faz para contribuir para a relação, mas espera ser servida. Já vi isso várias vezes, e em todas o resultado foi o divórcio. Não há lugar para o narcisismo num casamento. A esposa-princesa passa o dia sem fazer nada, não apanha sequer as embalagens de snacks, não cozinha, não limpa, não lava, não sabe manter um orçamento — ele chega a casa do trabalho e faz tudo. Isto é a síndrome da princesa.
 
Outro conceito da cultura popular é o da “alma gémea”, um termo psicológico muito antigo, presente até no judaísmo. Quando se desequilibra, é quando uma pessoa acredita que existe apenas uma alma gémea, predestinada para si. Como acredita que o seu par é predestinado, isso cria expetativas irrealistas. Contribui para que os casais não façam o “trabalho de casa” antes de se envolverem a sério ou casarem — conhecerem-se, aprenderem a comunicar, a discutir, a desenvolver competências práticas necessárias quando duas pessoas passam a viver sob o mesmo teto.
 
A forma de amor substitui a substância do amor. Um dia percebem que a sua “alma gémea” não é perfeita — ou talvez seja mais preciso dizer que sempre viram essas imperfeições, mas achavam que conseguiriam mudá-las ou que não eram decisivas. Surge a desilusão, por vezes a amargura, e coisas pequenas ganham proporções enormes.
 
A minha esposa completa-me, e eu a ela? Sim. Ela é a minha alma gémea, e eu sou a dela? Sim. Estamos a caminhar juntos na mesma direção, no crescimento em Cristo, na piedade, em procurar o melhor um para o outro? (E não tentar mudar-nos um ao outro). Não temos outro propósito senão abençoar-nos e amar-nos mutuamente. É a vida real, decisões difíceis tomadas quando amas a outra pessoa, mas naquele momento até nem gostas muito dela. Mas amas, cresces, adaptas-te, mudas como ser humano em Cristo.
 
Agosto de 1978, antes de Barb e eu casarmos em setembro desse ano
O Pai estava a ensinar-me com I Timóteo 5:14, que diz em parte: “Quero que as mais novas casem, tenham filhos, governem a casa...” A margem da minha Bíblia traduzia “governem” como “reger uma família”. (E é isso mesmo que o grego diz). No meu cérebro de quase 20 anos, prestes a casar no mês seguinte, um versículo a afirmar que a esposa deve governar a casa ia contra tudo o que eu ouvira ou assumira sobre o casamento cristão. E disse isso mesmo ao Pai.
 
Ele respondeu: “O que é uma casa?” Eu disse: “É a parte física — paredes, telhado, canalização, etc.” Ele respondeu: “Muito bem. E o que é um lar?” Respondi: “Um lar são as coisas intangíveis — a paz, a segurança, o amor — que transformam uma casa num lar.” Ele voltou a dizer: “Muito bem. A esposa é a cabeça da casa, e o marido é a cabeça do lar.”
 
Isso confundiu-me ainda mais, por isso disse: “Pai, isso quer dizer que se a pia da cozinha entupir, se ela é a cabeça da casa, então deve ser ela a arranjar, porque faz parte da casa.” Ele respondeu algo que definiu o rumo de um casamento longo e feliz: “Está certo, ela pode. OU pode chamar o cabeça do lar para arranjar, porque se a pia não for arranjada, as qualidades do lar ficam comprometidas.”
 
Foi então que percebi, mais do que intelectualmente, que no casamento em que ia entrar eu era responsável pelas qualidades intangíveis do lar. Eu devia ser o cabeça espiritual, tal como Cristo ama a igreja, eu devia amar a minha esposa — Ele é amor, alegria, paz, segurança n’Ele, e era isso que a minha esposa e futuros filhos deveriam sentir. Somos um só, mas a decoração, a cozinha, as refeições e coisas semelhantes a estas fazem parte da casa, e a Barb decora e gere a casa muito bem. Mas eu sou responsável diante de Deus por assegurar que, juntos, a nossa casa também seja um lar — cheio de paz, alegria, segurança, graça — para que, em conjunto, transformemos a nossa casa num lar.
 
Um cordão de três dobras não se rompe facilmente — não quer dizer que a mãe ou a irmã dela sejam a 3ª dobra
Essa frase conhecida de Eclesiastes 4:11-13 refere-se ao Senhor como a 3ª dobra num casamento forte, tornando-o “não facilmente quebrado”. Mas muitas vezes a esposa dá mais valor às opiniões da mãe, irmã ou amigas do que às do marido, ou o marido faz o mesmo em relação à mãe. Limites, pessoal, limites. Chega o momento em todo o casamento saudável, com famílias próximas, em que o casal deve estabelecer regras e limites. Alguém vai ficar magoado, mas marido e mulher têm de se disciplinar para manter os outros de fora, deixar entrar apenas nos seus termos, e honrar e valorizar as opiniões um do outro acima de todas as outras. Ponto final.
 
Quando amas, mas naquele momento não gostas da pessoa...
Quando amas a pessoa, mas naquele instante estás chateado com ela, voltas ao núcleo do que te fez amá-la. Recordas as qualidades que te levaram a apaixonar-te. Assim, quando a Barb e eu temos uma forte discordância, ela passa como um aguaceiro de verão, esquecemo-la e voltamos ao que éramos. Recuamos, regressamos à razão essencial pela qual nos amamos, e isso torna qualquer discussão que tenhamos minúscula na grande perspetiva das coisas.
 
Paulo comentou em Gálatas 2:9 que, quando Pedro, Tiago e João “perceberam a graça” nele e em Barnabé, deram-lhes a destra de comunhão e concordaram que os três iriam aos judeus, e Paulo e Barnabé aos gentios. “Perceberam a graça.” Mais tarde, Pedro escreveu, na sua última carta, II Pedro 3:15-16, que algumas coisas que Paulo escrevia eram difíceis de entender.
 
No casamento ou na amizade, nem sempre é importante compreender ou sequer concordar com a pessoa que amas. O que É importante é “perceber a graça” que há nela, honrá-la, sobretudo quando essa graça está numa área diferente do assunto da discussão. Ama a graça de Cristo nessa pessoa e o que Ele fez na sua vida. (E os dons que lhe deu). Vê a graça de Deus na sua vida e ama essa graça, mesmo que não ames outras coisas nela. Ama a graça. Procura os dons que Deus lhe deu — foram eles que inicialmente te fizeram apaixonar-te. Quando surgir o conflito, muda mental e emocionalmente o foco para essa graça, para essas qualidades que te levaram a amá-la.
 
Sujeitai-vos uns aos outros em Cristo
Obediência é uma ação, submissão é uma graça no coração. Submissão é quando dás a alguém lugar no teu coração para ter autoridade sobre ti, contigo, ou de alguma forma o deixas entrar na tua vida.
 
Uma pessoa pode estar submissa e, ainda assim, ser desobediente. Um adolescente pode limpar o quarto obedientemente, mas no coração estar zangado, ressentido, amargo — não submisso. Uma esposa pode ir à igreja em desobediência, quando o marido incrédulo a proibiu, mas permanecer submissa a ele ao ser uma boa esposa e/ou mãe.
 
As instruções de Paulo são para que nos submetamos uns aos outros “em Cristo”, o que significa que podes estar submisso a um cônjuge, mas se ele ou ela te pede algo em obediência que Jesus não faria, não tens de o fazer. Cada pessoa tem o direito de proteger o seu corpo, as suas emoções, de coisas ímpias que o cônjuge possa pensar que pode exigir em nome da obediência. Esse direito vai da intimidade até ao assaltar um banco — se violar o que achas correto ou se for imoral ou eticamente errado, o cônjuge pode ser desobediente e, ainda assim, estar submisso no coração. Aquele que pede ao cônjuge para violar estas coisas é que tem questões por resolver.
 
Ambos atravessam a dificuldade para se tornarem um, do outro lado do conflito
Trabalhamos lado a lado em responsabilidades partilhadas. É a nossa casa, a nossa cozinha, a nossa roupa para lavar, não dela ou minha. Dito isto, cada um tem as suas áreas, as suas formas de fazer as coisas, e estas são respeitadas. Damos liberdade um ao outro para sermos indivíduos. Estamos presentes e a contribuir para o bem comum.
 
Ontem, enquanto escrevia isto, a Barb e eu estávamos a trabalhar lado a lado na cozinha a preparar “frango de caju” com arroz frito. Eu fiz o arroz, ela fez o frango. Ela comentou: “Adoro quando trabalhamos juntos na cozinha”, e eu respondi que eu também — é um dos momentos divertidos que partilhamos. A forma como nos movemos um em torno do outro de acordo com o que estamos a cozinhar é como uma dança bem coreografada. O meu arroz frito ficou pronto exatamente ao mesmo tempo que o frango de caju dela. Mas, no início, éramos mais parecidos com os Três Estarolas — tivemos de aprender como cada um se movia... Agora somos como o Fred e a Ginger a dançar. E lembrem-se: ela fazia tudo o que o Fred fazia, mas de saltos altos e de costas, lol. (Para quem não sabe quem são, vejam um filme do Fred Astaire e da Ginger Rogers ou procurem no YouTube excertos das suas danças, lol).
 
Dito isto, na nossa primeira semana de casamento, no nosso pequeno apartamento do andar de cima, ela disse-me: “O lixo está cheio.” Respondi: “Então esvazia-o.” Ela replicou: “Na nossa casa, era sempre o meu pai que esvaziava o lixo.” Eu disse: “Na nossa casa, quem o enchesse era quem o levava para fora.” ...E desde então sou eu que levo o lixo, como uma forma de lhe entregar a minha vida.
 
Celebramos a nós próprios e honramo-nos mutuamente de maneiras simples, como não usar telemóveis à mesa. Numa habilidade que aprendi e ainda tenho de continuar a trabalhar, quando ela fala eu deixo o telefone tocar, em vez de interromper o que ela está a dizer. Eu dou-lhe a honra a ela primeiro no coração, depois na prática.
 
Lições aprendidas, mas há muito mais que poderia escrever. Talvez noutra altura. Novo tema na próxima semana, até lá, bênçãos,
 
John Fenn
cwowi.org e podem escrever-me para [email protected]
 

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Epílogo 1 de 2; O testemunho de John & Barb, como permanecer casados

9/13/2025

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Epilogue 1 of 2; John & Barb's testimony, how to stay married
Epílogo 1 de 2; O testemunho de John & Barb, como permanecer casados
 
Olá a todos, espero que os leitores tenham conseguido conhecer-nos melhor e retirar algumas coisas úteis desta série. Nestes epílogos, vou-me focar no que fizemos de errado e de certo para permanecermos casados e apaixonados todos estes anos.
 
50 anos de namoro
Em outubro de 2024, a Barb lembrou-me que estávamos a celebrar 50 anos de namoro, já que foi em outubro de 1974 que lhe pedi para namorar comigo.
Muitas vezes recebo emails de pessoas que querem casar, que estão a decidir se a pessoa com quem namoram é “a tal”, ou, pelo contrário, que estão a decidir se se divorciam ou permanecem casadas, ou ainda de quem sente falta de um cônjuge que já faleceu.
 
O primeiro ponto é este: nós ainda namoramos. Continuo a abrir-lhe a porta do carro e todas as portas como se estivéssemos num encontro. Quando andamos no passeio, caminho sempre do lado da estrada para a proteger. Ela é a minha namorada. Reservamos tempo para termos momentos em que saímos juntos, regularmente.
Quando o Chris ainda vivia connosco e os irmãos mais novos podiam ficar a olhar por ele durante um bocado, saíamos para dar uma pequena volta perto de casa, íamos a um restaurante ou até a uma cadeia de fast-food – mesmo que fosse apenas por uns minutos, celebrávamos o “nós”.
 
Nos celebramos mais os “amo-te” do que as dificuldades percorridas – mas são essas dificuldades que tornam os “amo-te” mais profundos e significativos.
 
Aceitar o que não podes mudar no outro
São duas pessoas a viver sob o mesmo teto. Um estudo mostrou que uma das chaves para um casamento duradouro é a capacidade de aceitar no cônjuge coisas que nos irritam, escolhendo focar-se na gratidão pelas qualidades positivas. Não faças das pequenas irritações motivos de rutura. Diferente não significa necessariamente errado.
 
Reflete contigo mesmo: quer estejas a namorar e a pensar se é “a pessoa certa”, quer já estejas casado e a lutar para manter o casamento. Não transformes pequenas colinas ao longo do vosso caminho em montanhas. Supera, anda em amor, adapta-te e cresce. Não esperes perfeição no teu cônjuge – isso é fantasia. Nenhuma lista de qualidades será toda preenchida; se for, ou não és muito exigente, ou estás a ignorar imperfeições óbvias. Amadurece.
 
Nós fizemos uma regra antes de ficarmos noivos, mas já sabendo que iríamos casar: a palavra começada por “D” nunca seria posta em cima da mesa (Divórcio). Decidimos que, em qualquer situação difícil, escolheríamos crescer em Cristo, crescer como seres humanos, juntos, e nunca falar em divórcio. Em cada situação, cresceríamos em Cristo. Quando percebemos que estávamos apaixonados, logo nos primeiros encontros, conversámos sobre os “e se”: – E se eu ficar paralisado, ficas comigo? – E se eu engordar 90 quilos? – E se não fizer a cama todas as manhãs? – E se não souber arranjar coisas em casa? – E se chegar do trabalho e não tiver vontade de cozinhar, tu fazes o jantar? Esses “e se” ajudaram-nos a medir e a determinar até onde ia o nosso amor.
 
Pensar como um homem…?
Os homens são solucionadores de problemas, desde que Adão foi colocado no jardim antes de Eva ser criada. O Senhor mostrou-lhe o jardim, pediu-lhe que desse nome aos animais, etc. Depois veio Eva, que viu o jardim e os animais já prontos para ela. Desde então, o homem foi feito para resolver problemas, vendo apenas um quadrado/problema de cada vez. Eva, que viu o quadro completo quando foi criada, pensa como um prato de esparguete – cada fio está ligado a todos os outros. Cada questão está interligada. O homem vê só um quadrado de cada vez, nunca o tabuleiro todo. Ela vê o prato de esparguete inteiro.
 
Um exemplo de homem-quadrado: o carro não pega de manhã. E ele pensa: – Será da bateria?
– Será falta de gasolina? – Será um problema eletrónico?
Ela vê o prato de esparguete: – “Vou chegar atrasada ao trabalho. – Como é que os miúdos vão para a escola? – Tenho uma apresentação, vou chegar tarde. – O meu chefe detesta isso. – Posso ser despedida. – Vou ficar envergonhada. – A Judy odeia-me, quer o meu lugar, isto pode dar-lhe vantagem. – Como vai a nossa filha à aula de piano? – Preciso de ir às compras, o que fazemos para o jantar?... E muito mais no seu “prato de esparguete” enquanto apenas diz: “O carro não pega.”
 
Homens: quando ela diz “O carro não pega”, está a sentir TUDO isto e MUITO mais (como o exemplo acima). Procura ouvir a emoção por trás das palavras, não apenas as palavras.
 
Homens – aprendam a ouvir essas emoções
Deem atenção ao stress que as palavras dela contêm. Pensa nas palavras como um jarro cheio de preocupações, medos, receios, etc. As palavras são o recipiente, mas é preciso ouvir o que está contido lá dentro. Responde aos medos apresentando soluções antes sequer de ires verificar a bateria. Assim que ouvires: “O carro não pega”, adianta-te e trata de cada fiozinho dessa pilha de preocupações: “Posso levar-te já ao trabalho e, mais tarde, chamar um reboque ou pedir ao nosso vizinho para dar uma olhadela. Hoje tenho o dia leve, por isso posso levar a nossa filha às aulas de piano esta tarde. Podemos mandar vir as compras ou eu peço para as trazerem ao carro depois das aulas de piano, ou então jantamos fora.” Ouve a emoção, o medo, e resolve ISSO.
 
MUITAS vezes estive às aranhas e simplesmente perguntei à Barb: “Qual é o teu medo? Com que é que te estás a preocupar? Ajuda-me a entender”, em relação a determinado assunto. Muitas vezes, ela tem de me dizer qual é a preocupação dela, e só então consigo tratar dessa questão e resolver o problema.
 
Homens – isto é uma competência que se aprende, e admito que não é natural para nós; eu próprio ainda estou a aprender, depois de 50 anos a “namorar” a minha esposa, a pensar “qual é o medo dela” quando ouço um problema que ela apresenta. Mas ela quer que eu o resolva. Por isso, senhoras, deixem-no resolver à maneira dele. Não tentem controla-lo. Pode ser que a maneira dele falhe, e ele aprende, depois de perder tempo e dinheiro, que a vossa maneira era a correta. Mas, muitas vezes, ele vai resolver o problema de uma forma que nunca vos teria ocorrido. As palavras que todo o homem adora ouvir são... não, não são essas. São estas: “Tinhas razão.” (lol)
 
Aprendi que a Barb nunca pensará como eu, e ela aprendeu que eu nunca pensarei como ela. Parem de esperar que o vosso cônjuge pense como vocês. Nós, homens, funcionamos por palavras e podemos reagir sem qualquer intenção escondida — é apenas um quadradinho por resolver. Por isso, senhoras, parem de interpretar em excesso tudo o que dizemos ou fazemos, como se estivesse ligado a todo um prato de esparguete de pensamentos. Até hoje, digo muitas vezes à Barb: “Isto é só a resposta, sem emoção, sem segunda intenção, sem plano B, sem manipulação — é apenas um quadradinho que estou a tentar resolver.” AINDA hoje digo coisas assim, para que ela consiga mudar para “modo quadrado” quando trato de uma questão que ela levanta, porque ela procura sempre em cada fio de massa como é que o que eu digo se liga a todos os outros fios — mas, na maioria das vezes, eu estou apenas a declarar o problema naquele quadrado específico, sem emoção, sem segunda intenção.
 
Sempre, sempre fui fiel à Barb, e ela a mim.
Mas é por causa desta diferença que um homem apanhado em adultério dirá: “Ela não significa nada para mim”, porque ele viu a relação como um quadradinho isolado. Já a esposa entende que o adultério é um fio de massa ligado a todos os outros fios, e isso significa tudo para ela.
 
Ela pode perguntar: “Como é que este vestido me fica?” — e está a pensar no vestido, no cabelo, nas jóias, nos sapatos, na maquilhagem. Mas tu ouves “vestido” e respondes: “Está bem, o padrão não é o meu favorito”, e ela ouve que o vestido não combina com os sapatos, que não combinam com os brincos, que não combinam com o cabelo... Homens, façam um favor a vocês próprios: resolvam o prato de esparguete antes de abrirem a boca, ouvindo o pacote completo. Afastem-se desse quadradinho isolado para verem o global!
 
Homens: ouçam o medo, a preocupação, o stress por trás das palavras delas. Reajam e respondam à emoção mais do que às palavras. Aceitem e enfrentem os sentimentos que as palavras contêm. SÓ DEPOIS de essas emoções estarem tratadas, ela vos permitirá resolver o problema à vontade, dentro dos parâmetros dela. Mulheres – deixem o homem resolver o problema. Ele fará de forma diferente na maioria das vezes, mas o problema será resolvido. Parem de tentar dizer-lhes como resolver o problema que lhes deram para resolver — não façam micro-gestão, tenham confiança nele. Não tentem que o vosso cônjuge pense como vocês — aprendam a aceitar as diferenças e deixem-no lidar com a situação.
 
Conclusão na próxima semana, até lá, bênçãos,
John Fenn
 

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Testemunho de John & Barb, 6 de 6

9/6/2025

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John & Barb's testimony, 6/6
Testemunho de John & Barb, 6 de 6

Olá a todos,

Esta parte é um pouco mais longa do que o habitual, mas espero que seja útil. Durante o nosso tempo naquela pequena cidade nas pradarias do Colorado, o Senhor visitou-nos muitas vezes, ensinando-nos muitas coisas; algumas delas estão partilhadas no livro Pursuing the Seasons of God.
 
Nesse janeiro, quando o nosso salário foi de 15 dólares
A Barb usou com muita habilidade cada pedacinho de comida que tínhamos em casa, fazendo combinações de modo que os rapazes nunca se aperceberam de quão vazias estavam as nossas prateleiras. Mas um dia, pelas 16h00, ela disse-me, bastante exasperada:
“São 4 da tarde e preciso de começar a preparar o jantar às 16h30, e não temos nada, absolutamente nada em casa para comer. O que é que vamos fazer quanto a isso?”
 
Eu respondi calmamente que tinha examinado o meu coração, sabia que estava no centro da vontade do Senhor, e que Jesus disse em Mateus 6 para não nos preocuparmos com o que comer ou vestir, porque o Pai cuida disso – portanto, Ele providenciaria. Ela rapidamente encontrou paz, e ficou tudo entregue. Dez minutos depois, às 16h10, chegaram umas pessoas da nossa igreja com a sua carrinha. Tinham uma vacaria e disseram que sentiram no coração que deviam comprar-nos comida e dar-nos leite. A carrinha vinha carregada de alimentos. Em dez minutos passámos de prateleiras vazias e frigorífico vazio para uma casa completamente abastecida, até com 5 galões de leite fresco. E assim a Barb conseguiu começar o jantar às 16h30, como planeado.
 
Alguns meses mais tarde ela reparou numa pequena área na varanda fechada nas traseiras da casa que tínhamos arrendado, exatamente do tamanho certo para um congelador pequeno horizontal (71 cm). O seu motivo era simples: nunca mais ficar sem comida — algo que ela considerava uma necessidade, não um desejo.
 
Vivendo numa comunidade agrícola e pecuária…
e tendo três rapazes e eu para alimentar, a Barb pediu ao Pai um pequeno congelador que coubesse nesse espaço. Dois dias depois, uma senhora da igreja contactou-a: tinha uma amiga que ia mudar-se para fora do país por motivos de trabalho e queria oferecer o seu congelador a alguém. Essa irmã sentiu-se levada a perguntar à Barb se ela o queria. Era exatamente do tamanho certo. A Barb agradeceu ao Pai e acrescentou algo como: “Está bem, obrigada por isto, Pai, agora gostaria de o encher com carne de vaca.” Nesse domingo, uma senhora de uma família de criadores de gado perguntou-lhe se queria um quarto de boi (quase 90 kg) — encheu o congelador por completo!
 
O mesmo padrão repete-se:
Determina-se no coração o que é uma necessidade, faz-se um pedido específico a Deus para suprir essa necessidade, dá-se graças, vem o cumprimento, e depois mais ação de graças. A Barb foi ainda mais específica, pedindo: “Pai, obrigada pela comida que as pessoas nos trazem, mas muita não é da marca que consumimos e alguma já está fora de prazo. Podias fazer com que nos trouxessem as nossas marcas de alimentos?” Imediatamente, tudo mudou. Ela é mesmo notável.
 
Um exemplo:
Nós só comemos manteiga de amendoim biológica, sem aditivos. Mais de uma vez, quando o dinheiro estava curto mas os rapazes precisavam de manteiga de amendoim, a Barb ia ao supermercado e sentia uma hesitação em incluí-la no orçamento. Chegava ao ponto de estender a mão para um frasco na prateleira e sentir um peso interior, como se fosse um “não faças isso”. Ela obedecia — e no domingo de manhã lá estavam, no nosso banco da igreja, dois frascos da nossa marca, comprados por alguém que sentiu no coração que devia oferecer-nos.
 
Na nossa região, as cebolas eram uma grande produção agrícola, e muitas vezes encontrávamos cebolas caídas das camionetas ao longo da estrada — verdadeiros “acidentes vegetais” que nos ajudavam a alimentar-nos, juntamente com legumes que os irmãos da igreja nos traziam. Foram coisas assim que ajudaram a sustentar a nossa família durante quase seis anos como pastores dessa igreja.
 
Sobre necessidade vs. desejo
Aprendemos pela experiência que, quando mantemos as prioridades certas e limitamos os pedidos às necessidades, Ele encontra forma de acrescentar os desejos que fluem naturalmente do suprimento da necessidade. Costumo dizer que Ele move-se do vago para o específico, no contexto da comunicação connosco. Primeiro temos uma impressão no espírito, e à medida que nos focamos nela, os detalhes vão ficando mais claros.
 
É o mesmo ao pedir-Lhe que supra uma necessidade. Uma vez expressa, Ele parece alegrar-se em incluir alguns desejos. Não façam disso uma fórmula — apenas conversem com Ele.
 
Anteriormente, partilhei sobre a casa que alugámos em Tulsa, dizendo que a nossa necessidade era de 3 quartos, 2 casas de banho, garagem... necessidades bem reais. Quando fomos conduzidos a essa casa, não só as necessidades foram satisfeitas, como o Pai incluiu também os desejos — uma sala de estar e de jantar maiores do que aquilo que tínhamos esperado, a combinação de cores em toda a casa era perfeita e ia além do pouco que tínhamos identificado como necessidade. Coisas extra como soalho de madeira na cozinha, lareira de tijolo vermelho (tínhamos apenas dito lareira), bancadas de madeira de corte, que estavam na moda e de que gostávamos na altura, frigorífico enorme incluído, etc. Portanto, pedimos apenas as poucas necessidades reais, e a partir daí Ele providenciou os pormenores que eram desejos. GRANDE lição aí.
 
Quando o natural e o espiritual se juntam, é altura de agir
No natural, o Chris tinha começado a ter convulsões — disseram-nos que isso acontece muitas vezes na puberdade em crianças com lesão cerebral —, o que significava que precisava de cuidados médicos especializados. Também necessitava de Educação Especial, que nenhum dos três distritos escolares da região oferecia em 1992. Os outros dois rapazes e a Barb já tinham ido até onde conseguiam com o ensino em casa e alternativas. Além disso, a igreja passou por uma crise quando um presbítero foi acusado de comportamento impróprio. Tudo isto estava a acontecer no natural.
 
É quando o espiritual e o natural se cruzam que a pessoa sabe que é o tempo do Senhor para mudar.
 
Espiritualmente, o nosso coração tinha-se tornado maior do que a nossa congregação. Eles só se preocupavam com o seu pequeno vale, mas nós tínhamos crescido em visão e queríamos alcançar o mundo. Essa mudança em nós veio da consciência de que, até que o Chris fosse curado, não poderíamos ir como missionários para fora dos EUA. Sabíamos que algo tinha de mudar — os eventos naturais exigiam-no — mas não tínhamos direção espiritual, e sabíamos que não devíamos agir até o Senhor nos dar orientação.
 
Em Números 9 vemos o processo: a nuvem da glória erguia-se do tabernáculo como sinal para Israel começar a fazer a organizar-se para partir. Depois de embalarem tudo, a nuvem movia-se, e eles seguiam-na. Nós sentíamos a nuvem a levantar-se, mas não fazíamos ideia de quando ou para que lado iria. Deixa-a levantar, prepara-te — mas espera até realmente perceberes que a nuvem avançou e que chegou a tua hora de seguir.
 
Um dia disse ao Senhor: “Se nós não podemos ir, talvez possas usar-me para treinar outros que possam ir em nosso lugar.” Surpreendentemente, Ele respondeu-me diretamente: “Onde é que sempre te sentiste mais realizado?” Fiz uma revisão mental de todos os trabalhos que tinha tido desde adolescente e reparei que o fio condutor era sempre o mesmo: eu gostava mais de pequenos grupos de pessoas, com quem podia interagir e conhecer bem. Quer fosse ministério, construção, restauração ou treino de cavalos, eu preferia sempre investir em pequenos grupos.
 
Então Ele disse-me
que me tinha nomeado Diretor de uma escola bíblica, numa igreja maior, com escola do 1.º ao 12.º ano, forte ênfase em evangelização. Mas não disse onde. Por mais que procurasse no Colorado, nada correspondia a esta descrição. O nosso coração puxava-nos para Tulsa. “OH NÃO! Tulsa não! Não de volta ao sítio onde há tantos diplomados de escolas bíblicas que trabalham em bombas de gasolina!” (Sim, eu disse mesmo isso ao Senhor). Mas não podíamos negar. Liguei a um amigo em Tulsa, descrevi-lhe o que Deus me tinha dito, e ele respondeu: “Isso soa a Victory Christian Center, do pastor Billy Joe Daugherty.”
 
Fui lá em setembro de 1992, assisti a um culto de quarta-feira, conheci melhor a igreja, participei numa ação de evangelização — tudo confirmou no meu espírito que era para fazermos parte daquilo. Quando voltei ao Colorado, e a Barb também sentiu paz, mudámo-nos para a área de Tulsa em dezembro de 1992. Eu sabia que ia ser o Diretor da escola bíblica deles, mas eles ainda não sabiam. Então arranjei um trabalho “normal” e começámos como voluntários na escola dominical de adultos. Cerca de 18 meses depois, no final do verão de 1994, através dos relacionamentos criados com a equipa da escola dominical, tornei-me Diretor-Adjunto da escola bíblica, e em 1997 fui nomeado Diretor Executivo.
 
O que aprendemos no Victory?
Foram os melhores tempos e os piores tempos, lol. Vou acrescentar um epílogo a esta série de 6 partes na próxima semana para partilhar algumas das lutas que tivemos no casamento e as lições aprendidas, e como crescemos através de tudo isso. Mas, por agora, o que aprendemos ao ser líderes numa mega-igreja — que na altura o jornal local estimava ter 13.000 pessoas — foi “cristianismo profissional”. Isso foi o que aprendemos: o lado profissional do ministério na chamada “fivela do cinturão bíblico” dos EUA. Tulsa, Oklahoma, lar de Oral Roberts, Kenneth Hagin, T.L. Osborn, Kathryn Kuhlman, Roberts Liardon, Carlton Pearson, Mother (Grace) Tucker e Billy Joe Daugherty, entre outros.
 
Eu adorava o trabalho: ensinar cerca de 600 alunos por ano, a maioria em tempo parcial, mas uns 130 a tempo inteiro. Gostava de substituir o pastor quando ele viajava, de conviver com grandes nomes do ministério. Tinha ex-alunos a trabalhar com essas figuras, e ouvia histórias. O nosso vizinho, de quem comprámos os três cavalos, era chefe de segurança do maior televangelista de “cura” da altura — então vi e ouvi muitas coisas de bastidores que não estavam certas. Vi a ênfase nas aparências e em esconder a verdade. Se levantasses uma questão, eras tu acusado de ter um problema. (Ver Return of the First Church).
 
Também vi os que ficavam esquecidos: a mulher que se suicidou — tinha estado numa das minhas aulas e cantava no coro. Como é que ninguém a conhecia suficientemente bem para a impedir? Vi a falta de disposição para ajudar financeiramente membros e funcionários fiéis em emergências, e muito mais. Comecei a buscar o Pai, a comparar as Escrituras com a forma como a cultura de auditório profissional fazia “igreja”. Fiz uma proposta (mal escrita, admito) de algumas mudanças e fui repreendido. Não podia mudar a igreja por dentro, por isso busquei o Senhor.
 
O desgaste de estar nessa posição foi-se acumulando
no casamento e, em especial, na minha relação com os meus filhos. Trabalhava muitas horas, por vezes 80 por semana, durante os 6 anos de staff. O Chris, que entre os 14 e 20 anos já não estava na escola, tinha de usar fralda em casa porque a Barb não tinha força para o pôr na sanita. Ele odiava, revoltava-se com a mãe, até lhe batia por frustração, envergonhado por ter de sujar as calças. Isso sobrecarregava muito a Barb. Eles passaram por muito para me permitir estar naquele ministério, e ainda hoje sou grato, e sei que o Senhor também é.
 
No ano letivo de 1999-2000
Eu já passava longas horas a orar em línguas só para tentar manter-me cheio o suficiente para dar nas aulas e cumprir responsabilidades. Estava a viver no limite. Sempre usei a citação de Zacarias 4:6: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor” — mas o contexto maior era o que me faltava. Em Zacarias 4:1-6 aparecem duas oliveiras (Palavra e Espírito) a abastecer uma grande taça de azeite. Essa taça transbordava para um tubo, que alimentava pequenas lâmpadas. O transbordo enchia as lâmpadas, mas a taça permanecia cheia, abastecida diretamente das fontes. A taça é o nosso espírito, cheio do óleo do Espírito. O povo recebe apenas o transbordo — o que está na taça é para nos sustentar diariamente. Mas chegou um ponto em que eu estava a dar do conteúdo da taça, não do transbordo. Estava demasiado cansado e ocupado para ter transbordo.
 
Se já não há transbordo, tens de parar e encher novamente a taça, ou acabas a dar aos outros o que era para ti. Demiti-me em maio de 2000, para choque de todos. Viajei sozinho por algum tempo, depois o C. Peter Wagner pediu-me para o ajudar a iniciar uma associação de escolas bíblicas que davam certificados (não graus académicos).
 
Pouco depois, ainda em Tulsa,
comecei a viajar cada 4 ou 6 semanas para Colorado Springs, e mais tarde, quando ele me nomeou Diretor Nacional no Canadá, para Red Deer, Alberta, e várias partes do país. Sempre a procurar como o Senhor queria que fizéssemos igreja, onde estaria o Seu próximo mover, e qual seria o meu papel. Onde quer que fosse, os pastores e diretores de escolas bíblicas faziam-me sempre as mesmas três perguntas: Como faço a minha igreja (ou escola) crescer? Como pago as contas da minha igreja (ou escola)? Como impeço que as pessoas saiam da minha igreja (ou escola)? Cada um dizia ser diferente, mas todos eram iguais.
 
A 4 de fevereiro de 2001
eu estava na região de Toronto quando, a meio da adoração, o Senhor me apareceu. Entre várias coisas Ele disse: “Vê o que Eu vejo. Pessoas a ir de culto em culto, à procura do espetacular, pensando que ISSO é o sobrenatural, enquanto perdem de vista a obra sobrenatural bem diante deles, até nos seus próprios corações, porque o processo de discipulado É sobrenatural.” E também: “Como foi no princípio, assim deve ser agora; estou a mover-me através de relacionamentos.”
 
A 4 de novembro desse ano, o Senhor voltou a visitar-me, dizendo para começar uma igreja em casa e uma rede de igrejas em casa: “Estrutura-a de modo a facilitar o desenvolvimento de igrejas em casa pelo mundo inteiro.” Nessa altura, no final de 2001, o Peter estava a iniciar o que ficou conhecido como a NAR (New Apostolic Reformation), e eu ia na direção contrária e não concordava com o rumo dele. Demiti-me, continuámos amigos, ele prosseguiu a desenvolver a NAR e nós começámos a The Church Without Walls International.
 
Na próxima semana: um epílogo — tensões e chaves para manter o casamento!
Até lá, bênçãos,
John Fenn
 

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