testemunho de John & Barb, 5 de 6, tempos difíceis
Olá a todos,
Terminei na semana passada com o Chris, por volta dos 5 anos, sentado na cama, a falar pela primeira vez. Pouco tempo depois começou a andar com a ajuda de um andarilho e de talas de plástico moldado que se ajustavam ao pé e ao calcanhar e subiam pela parte de trás da perna. Não ficou totalmente curado, mas passou a ser possível lidar com a situação.
O Chris via crianças na televisão a correr e dizia coisas como: “Quando eu chegar ao céu vou correr assim.” Todas as noites, quando está em casa e o deitamos, eu digo: “Pelas Suas pisaduras...” e o Chris responde: “Fui curado.” Mas ele ficou privado da capacidade de compreender o tempo no sentido de como algo ocorrido há 2000 anos o afeta agora. Um dia, quando tinha 21 anos, veio a gatinhar pelo corredor em estilo “soldado raso” todo entusiasmado: “Pai! Pai! Sabes o que Jesus me disse? Disse que vai andar comigo pelas montanhas, sim, iupi, foi isso que Ele disse (a rir-se, cheio de excitação), vai andar comigo pelas montanhas (a rir-se de alegria)...”
Entretanto, o Senhor visitou-me para me explicar porque é que pessoas com deficiências ou doenças crónicas e de longa duração têm dificuldade em ser curadas — essa visita aconteceu com Jesus à minha esquerda enquanto eu estava sentado, e o Chris à minha direita na cadeira de rodas. O Chris está contente em esperar pelo céu, não tem capacidade mental para “acreditar” na cura, e nós, como pais, descansamos nisso, pois não podemos sobrepor-nos à vontade dele nem transmitir-lhe um conhecimento superior sobre a fé.
Coração para o ministério, mas necessidade de sustentar a família: entrega de pizzas
Em 1984 começámos a frequentar uma igreja que pouco depois me pediu para ser pastor-associado, mas não tinham como me pagar. Entretanto eu já tinha iniciado um restaurante de entrega de pizzas, de onde vinha o meu sustento.
A promessa era que o pastor venderia os seus negócios e se reformaria, promovendo-me a pastor principal, com salário integral. Comecei então a organizar às segundas-feiras à tarde reuniões de “escola de cura”. Vinham sempre 15 a 20 pessoas, sentávamo-nos em círculo e eu ensinava cada semana um aspeto sobre cura. Durante esse tempo comecei a mover-me nos dons do Espírito que a Bíblia chama de discernimento de espíritos. Com os olhos bem abertos eu via o mundo natural, mas ao mesmo tempo também via a esfera do Senhor (o mundo espiritual). Às vezes percebia os motivos de alguém relativamente ao que falava, mas na maior parte das vezes eu via o que acontecia no mundo espiritual.
Por exemplo, algumas vezes via uma chama de fogo sobre alguém. Era sempre cerca de 45 cm de altura, com muitas línguas de fogo a vibrar, pairando sobre a cabeça da pessoa. Depois ouvia e via as palavras do Pai para essa pessoa. Outras vezes via um feixe de luz sobre alguém e novamente ouvia as palavras do Pai. Por vezes acontecia com várias pessoas numa reunião. Nesse ano, em abril o Senhor visitou-me pela primeira vez, num culto de domingo de manhã. Foi a primeira vez que O vi — está descrito no livro Pursuing the Seasons of God, por isso não entro aqui em pormenores.
Mas é importante saber que estas experiências espirituais aconteceram entre abril e todo o verão, porque em junho de 1986 o pastor e a esposa sentaram-se na nossa sala de estar e disseram que tinham mudado de ideias: ele não se iria reformar e não havia futuro para mim ali. No Espírito vi uma mão gigante a descer como um golpe de karaté entre eles e nós. Soube então que estávamos livres daquele compromisso. No entanto, continuámos a servir na igreja como se nada tivesse mudado, sabendo no espírito que já estávamos livres, mas no natural nada tinha mudado.
Há uma grande lição nisso
Muitas pessoas sentem no espírito que chegou ao fim o seu tempo num emprego, mas em vez de esperarem que o Senhor abra a próxima porta, despedem-se, e depois não percebem porque passam mal financeiramente. Só porque a nuvem se levanta desse emprego não significa que seja já hora de sair. Ele usa o tempo entre o fim da graça e o mover da nuvem para nos fazer crescer em paciência, graça e consistência. Se não aprendermos a lição, Ele colocará mais tarde outra situação onde teremos uma nova oportunidade de crescer. É preciso esperar que a nuvem se afaste, não basta sentimos que começa a levantar-se. No natural devemos fazer o que é correto — candidatar-nos, atualizar o currículo, etc. — mas não nos devemos mover até que a porta seguinte se abra.
Esse foi um tempo muito difícil para nós. Eu sabia que o Senhor me iria levar de novo para o ministério a tempo integral, mas não sabia para onde. Ele visitava-me e ensinava-me, mas em termos financeiros e de rumo de vida foi muito duro. Em outubro de 1986, numa curta viagem ao México (enviado pela igreja), o Senhor apareceu-me e mudou a minha vida para sempre. Está também relatado em Pursuing the Seasons of God (se me escreverem, envio em PDF em inglês).
Nessa altura vendemos a pizzaria, ficámos endividados ao fisco (IRS) e procurámos advogados por causa da lesão cerebral do Chris. Começámos a perceber o peso de criar um filho com atraso de desenvolvimento e deficiência física. O verão e o outono de 1986 foram particularmente difíceis para a Barb. Jesus visitava-me, mas não havia cura para o nosso filho mais velho. Os advogados analisaram os registos hospitalares e disseram que era claramente negligência, que viam ali uma grande indemnização. Prometiam-nos um acordo milionário. Jesus visitava-me e abria-me os olhos para a Sua realidade, mas nós não tínhamos dinheiro e vendíamos bens pessoais em feiras da ladra semanais só para comer e pagar terapias do Chris; o nosso tempo naquela igreja tinha acabado e não tínhamos para onde ir... e muito mais. Não conseguíamos dar conta de tudo e acabámos por desistir do processo legal.
Depois de 8 meses disto, no domingo, a 1 de fevereiro de 1987, o Senhor disse-me:
“Prepara-te para te mudares até ao fim do mês.” Obedecemos, pusemos o que restava em caixas e ficámos à espera. Duas semanas depois ligaram para a igreja (pois o nosso telefone já estava cortado), a perguntar por mim para pastorear uma igreja no sudeste do Colorado. O meu espírito saltou de alegria e fui visita-la. Era uma pequena cidade agrícola empoeirada, na pradaria do leste do Colorado, mas no nosso espirito havia confirmação: era Ele.
Estávamos a usar um carro emprestado, mas precisávamos de comprar um para nos mudarmos 2 horas e meia dali. Orámos e falámos sobre a nossa necessidade: um carro de 4 portas, caixa automática, ar condicionado, em bom estado e grande o suficiente para os 5. Um dia depois passei por um stand de usados e o meu espírito saltou, voltei atrás e entrei. Entre muitos carros havia um Chevrolet Impala branco de 1977, de 4 portas, com 10 anos mas em bom estado. O dono do stand explicou-me que pertencia a uma senhora da igreja dele e que estava apenas a ajudá-la a vender. Aconteceu que era uma amiga em comum que me conhecia da igreja anterior.
As minhas condições eram: sem entrada, só começar a pagar passados 90 dias, mas precisava do carro de imediato. Ela orou, sentiu no espírito que era o Senhor, e no dia seguinte ligou para a igreja a dizer que me vendia o carro.
A lição era que até Deus não move um carro estacionado. Nós orámos, especificámos a necessidade, e depois eu comecei a procurar. Fazemos o que sabemos fazer no natural, e depois Ele age. Vemos isto na Bíblia quando Jesus mandou os milhares sentarem-se em grupos de 50 e 100, e só depois multiplicou os pães e peixes. Ou quando mandou encher as 6 talhas de água, e só então transformou a água em vinho.
Mudança...
Mudámo-nos a 1 de março de 1987. Fomos viver para uma pequena casa ao lado da igreja, e quando digo pequena era mesmo um quadrado: 2 quartos, 1 casa de banho, com fundações tão más que, quando o biberon do nosso filho mais novo caía ao chão, rolava para o centro da casa. O primeiro culto teve 7 pessoas. Duas semanas depois já eram 10 e festejámos por termos chegado aos dois dígitos! Durante quase 6 anos ali, passámos por 4 edifícios à medida que crescíamos e desenvolvemos muitos programas de apoio à comunidade.
Todo esse tempo a Barb e eu continuámos a identificar-nos sobre o movimento Palavra da Fé, pois víamos o lado bom — a integridade da Palavra de Deus — mas sentíamo-nos afastados dos que tinham perdido o equilíbrio. Com um filho deficiente, vivendo na pobreza, tendo recusado várias oportunidades no mundo dos negócios que nos teriam feito ricos, não encaixávamos na imagem de um pastor da Palavra da Fé. Estávamos demasiado ocupados a agarrar-nos ao Senhor para nos importarmos com isso, mas perdemos algumas amizades.
Pobreza é um estado de espírito, não uma conta bancária
Por um lado, Deus movia-se poderosamente entre nós, e o Senhor visitava-nos regularmente, ensinando-me tantas coisas. Mas no natural eramos pobres, vivendo de oferta em oferta. Algumas jovens mães sugeriram à Barb que recorresse ao apoio social, senhas de alimentação e leite e queijo gratuitos do governo para famílias de baixos rendimentos.
Mas, para crédito dela, a Barb reconheceu que pobreza é uma mentalidade e não uma conta bancária. Recusou tudo, dizendo que confiaria no Pai para as nossas necessidades, incluindo o leite, o queijo e outros alimentos que esses programas de apoio ofereciam.
Posso dizer que nesse tempo nunca nos faltou nada. Mas continuávamos a sentir-nos sozinhos, afastados da comunidade da Palavra da Fé de amigos. Estávamos apenas focados no essencial da nossa caminhada com o Pai e o Senhor. Houve um janeiro em que a igreja mal conseguiu pagar a nossa renda, e o dinheiro que restou para mim como salário foram 15 dólares. Quinze dólares! — não é engano. Mas Ele providenciou...
Como Ele providenciou, e o nosso regresso a Tulsa, a “fivela do cinturão bíblico” dos EUA, conto-vos na próxima semana. Até lá, bênçãos,
John Fenn
cwowi.org
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