A Lei Mosaica não foi feita para os justos, 3/3
Olá a todos,
Considerem estes versículos enquanto concluímos esta série:
“A força do pecado é a lei.” I Coríntios 15:56b
“A lei produz a ira.” Romanos 4:15ª
Se vivem sob legalismo religioso, conhecem estas verdades.
Porque a lei aponta continuamente para o pecado, ela dá força para cometer esses pecados e provoca ira. Ou o início da ira — a frustração, pelo menos — dependendo do grau em que a pessoa aceitou o legalismo. Ira porque nunca se consegue ser suficientemente bom para quem dá a lei. Ira contra si próprio porque pensa que há algo de errado consigo por não conseguir atingir os padrões esperados.
Entre o legalismo tornar o pecado mais forte e ao mesmo tempo tornar a pessoa irada, essa pessoa acaba por falhar na vida e depois fica zangada com Deus. Na verdade, vivemos em tempos do Novo Testamento e, se o Pai e Jesus forem apresentados através da embalagem ultrapassada do legalismo do Antigo Testamento, a pessoa pode afastar-se da embalagem enquanto, no coração, continua a desejar conhecer o seu Pai e Senhor.
Um antigo professor da Bíblia observou que, nas igrejas que visitava e que mais pregavam sobre s*xo antes do casamento, era onde havia mais adolescentes grávidas. As que mais pregavam contra os males do álcool tinham mais pessoas a lutar contra o alcoolismo. Viver sob um sistema religioso legalista dá força ao pecado. Torna as pessoas iradas. Quanto mais rígido, maior a ira. Se uma criança crescer sob um pai muito severo que apenas vê o que está errado, essa criança começará a fazer coisas erradas e haverá ira entre pai e filho. Mais tarde, poderão dizer que estavam apenas a tentar chamar a atenção dos pais ou obter aprovação. Mas foi a visão legalista da educação que, na realidade, deu força ao pecado deles.
Já vimos que a lei não foi feita para uma pessoa justa e que a lei era um tutor que nos conduzia a Cristo. Um tutor, no contexto de Paulo, era um mestre artesão, como hoje poderíamos ter um mestre carpinteiro, mecânico, eletricista ou canalizador. Um aprendiz fica sob a orientação de um mestre na sua arte. Essa é a analogia de Paulo aqui. O seu ponto em Gálatas 3 era que, uma vez graduados como estudantes ou aprendizes, já não precisamos do nosso tutor — a Lei Mosaica.
No seu tempo, quando um filho terminava a aprendizagem com o tutor, passava a usufruir plenamente dos privilégios do negócio da família. Era então reconhecido como filho pleno, parceiro no negócio do pai. Foi isso que Paulo disse em Gálatas 3:25-29: “Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de tutor. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um (uma família) em Cristo Jesus.”
A expressão sublinhada acima é um jogo de palavras que se perde em inglês e na maioria das traduções. Batismo é, claro, uma imersão total em água. A expressão “revestistes-vos de Cristo” significa literalmente: afundaram-se em Cristo. Lê-se assim no grego: “Vós que fostes imersos (afundados na água) em Cristo, agora fostes afundados em Cristo.” É por isso que ele diz que, a partir desse momento, não há raça, género ou estatuto social que importe, porque todos fomos mergulhados em Cristo e, portanto, somos um n’Ele.
Tendo agora terminado a aprendizagem e alcançado pleno estatuto na família do Pai, o que faz a graça em nós?
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” Tito 2:11-13
A graça ensina-nos. A graça não é apenas favor imerecido e depois seguimos com a nossa vida. Não. A graça capacita-nos para viver em Cristo. Uma vez na graça, todos entramos num tipo diferente de “escola”, porque a palavra “discípulo” significa “aprendiz”. A lei apenas nos mostrou que éramos pecadores, ensinando-nos que Cristo viria para nos libertar. Agora, em Cristo, tal como um filho que terminou a aprendizagem e é agora parceiro pleno no negócio da família, seguimos o Pai e o Filho na Sua obra. ISSO é discipulado.
Deus deu 613 leis a Moisés, mas a maioria era bastante vaga. Perguntei uma vez ao Pai porque tornou a Lei de Moisés tão vaga, e Ele respondeu: “Para que eles tivessem de caminhar comigo para saber como aplicar os meus caminhos às suas vidas.” Os fariseus criaram mais 800 leis, tentando definir com exatidão, em cada situação da vida, aquilo que pensavam que Deus desejaria. Isso é legalismo. A graça ensina-nos como aplicar os caminhos do Pai no Espírito da lei, e não na letra. Paulo disse: “Porque letra mata, mas o Espírito vivifica.” II Coríntios 3:6. Como amar o próximo como a nós mesmos? Como não cobiçar o carro do vizinho? A forma de aplicar isso à vida é aquilo de que trata a revelação da graça no Novo Testamento. Poder caminhar com o próprio Deus para que Ele dirija as nossas vidas cada vez mais profundamente nos Seus caminhos e pensamentos.
“Bom é que o coração se fortifique com graça.” Hebreus 13:9
Os nossos corações não são firmados vivendo sob legalismo. O nosso coração é firmado em Cristo pela graça, e essa graça ensina-nos a viver justamente.
(Não) “transformam em libertinagem (licença para pecar) a graça de nosso Deus” Judas 1:4
(Uso aqui a palavra moderna “licença” – licence, na tradução inglesa- , derivada do grego “licenciosidade”, porque esse é o sentido original do grego. Literalmente: “Não transformem a graça de Deus em licenciosidade”, definida como uma vida sem restrições morais, especialmente s*xualmente.) Quando ele escreveu para não transformarmos a graça de Deus numa licença para pecar, isso também significa que temos uma responsabilidade como administradores da graça.
É como um pai que entrega as chaves do carro ao filho adolescente por um dia. Com a graça vem a expectativa de que o jovem use esse carro de forma correta e legal, consciente de que o carro não lhe pertence. A graça traz sempre responsabilidade acompanhada de prestação de contas. Sempre. A graça é favor imerecido e capacitação, mas também implica responsabilidade perante aquele que concedeu essa graça.
Isto coloca a responsabilidade sobre nós, para vivermos de dentro para fora, em vez de obedecermos a um conjunto externo de regras.
Hebreus 10:15-17 revela isto: “Esta é a aliança que farei com eles: escreverei as minhas leis nos seus corações e nas suas mentes.”
Ele teve de nos tornar completamente novos, recriados pelo Seu Espírito, para fazer isso. O Antigo Testamento provou que Ele não podia simplesmente dar mandamentos e esperar que pecadores obedecessem. Para resolver esse dilema, Ele teve de recriar completamente o espírito humano pelo Seu Espírito através da cruz e da ressurreição, para que a própria natureza da pessoa passasse a ser fazer coisas piedosas. Assim, agora, a nossa própria natureza contém as leis de Deus. Não a letra da lei, mas o Espírito da lei — a intenção.
A lei escrita no meu espírito diz-me para amar o meu vizinho idoso como a mim mesmo. Mas como fazê-lo? De repente, sinto-me impelido a ajudá-lo a empilhar a lenha que ele está lentamente e com muito esforço a transportar para o inverno. ESSA aplicação da lei é aquilo que o Pai fez. Ele escreveu a Sua lei, os Seus caminhos, a Si mesmo, nos nossos corações, para que possa levar-nos a aplicar o mandamento ao vizinho e à sua lenha, e talvez noutro dia a fazer algo gentil por um colega de trabalho, e noutra ocasião a dar uma gorjeta maior do que a esperada a uma empregada de mesa. Quando percebemos que fomos libertos do legalismo externo, podemos viver de dentro para fora, perguntando ansiosamente ao Pai e ao Senhor como querem aplicar os Seus caminhos nas nossas vidas.
Que vida emocionante temos em Cristo, e quanta liberdade — e também a responsabilidade que acompanha essa liberdade.
Novo tema na próxima semana, até lá, bênçãos,
John Fenn
cwowi.org e escrevam-me para [email protected]
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