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A Lei Mosaica não foi feita para os justos, 3/3

6/27/2026

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The Mosaic law wasn't made for the righteous, 3/3
A Lei Mosaica não foi feita para os justos, 3/3
 
Olá a todos,

Considerem estes versículos enquanto concluímos esta série:
 
“A força do pecado é a lei.” I Coríntios 15:56b
“A lei produz a ira.” Romanos 4:15ª
 
Se vivem sob legalismo religioso, conhecem estas verdades.
Porque a lei aponta continuamente para o pecado, ela dá força para cometer esses pecados e provoca ira. Ou o início da ira — a frustração, pelo menos — dependendo do grau em que a pessoa aceitou o legalismo. Ira porque nunca se consegue ser suficientemente bom para quem dá a lei. Ira contra si próprio porque pensa que há algo de errado consigo por não conseguir atingir os padrões esperados.
 
Entre o legalismo tornar o pecado mais forte e ao mesmo tempo tornar a pessoa irada, essa pessoa acaba por falhar na vida e depois fica zangada com Deus. Na verdade, vivemos em tempos do Novo Testamento e, se o Pai e Jesus forem apresentados através da embalagem ultrapassada do legalismo do Antigo Testamento, a pessoa pode afastar-se da embalagem enquanto, no coração, continua a desejar conhecer o seu Pai e Senhor.
 
Um antigo professor da Bíblia observou que, nas igrejas que visitava e que mais pregavam sobre s*xo antes do casamento, era onde havia mais adolescentes grávidas. As que mais pregavam contra os males do álcool tinham mais pessoas a lutar contra o alcoolismo. Viver sob um sistema religioso legalista dá força ao pecado. Torna as pessoas iradas. Quanto mais rígido, maior a ira. Se uma criança crescer sob um pai muito severo que apenas vê o que está errado, essa criança começará a fazer coisas erradas e haverá ira entre pai e filho. Mais tarde, poderão dizer que estavam apenas a tentar chamar a atenção dos pais ou obter aprovação. Mas foi a visão legalista da educação que, na realidade, deu força ao pecado deles.
 
Já vimos que a lei não foi feita para uma pessoa justa e que a lei era um tutor que nos conduzia a Cristo. Um tutor, no contexto de Paulo, era um mestre artesão, como hoje poderíamos ter um mestre carpinteiro, mecânico, eletricista ou canalizador. Um aprendiz fica sob a orientação de um mestre na sua arte. Essa é a analogia de Paulo aqui. O seu ponto em Gálatas 3 era que, uma vez graduados como estudantes ou aprendizes, já não precisamos do nosso tutor — a Lei Mosaica.
 
No seu tempo, quando um filho terminava a aprendizagem com o tutor, passava a usufruir plenamente dos privilégios do negócio da família. Era então reconhecido como filho pleno, parceiro no negócio do pai. Foi isso que Paulo disse em Gálatas 3:25-29: “Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de tutor. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um (uma família) em Cristo Jesus.”
 
A expressão sublinhada acima é um jogo de palavras que se perde em inglês e na maioria das traduções. Batismo é, claro, uma imersão total em água. A expressão “revestistes-vos de Cristo” significa literalmente: afundaram-se em Cristo. Lê-se assim no grego: “Vós que fostes imersos (afundados na água) em Cristo, agora fostes afundados em Cristo.” É por isso que ele diz que, a partir desse momento, não há raça, género ou estatuto social que importe, porque todos fomos mergulhados em Cristo e, portanto, somos um n’Ele.
 
Tendo agora terminado a aprendizagem e alcançado pleno estatuto na família do Pai, o que faz a graça em nós?
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” Tito 2:11-13
 
A graça ensina-nos. A graça não é apenas favor imerecido e depois seguimos com a nossa vida. Não. A graça capacita-nos para viver em Cristo. Uma vez na graça, todos entramos num tipo diferente de “escola”, porque a palavra “discípulo” significa “aprendiz”. A lei apenas nos mostrou que éramos pecadores, ensinando-nos que Cristo viria para nos libertar. Agora, em Cristo, tal como um filho que terminou a aprendizagem e é agora parceiro pleno no negócio da família, seguimos o Pai e o Filho na Sua obra. ISSO é discipulado.
 
Deus deu 613 leis a Moisés, mas a maioria era bastante vaga. Perguntei uma vez ao Pai porque tornou a Lei de Moisés tão vaga, e Ele respondeu: “Para que eles tivessem de caminhar comigo para saber como aplicar os meus caminhos às suas vidas.” Os fariseus criaram mais 800 leis, tentando definir com exatidão, em cada situação da vida, aquilo que pensavam que Deus desejaria. Isso é legalismo. A graça ensina-nos como aplicar os caminhos do Pai no Espírito da lei, e não na letra. Paulo disse: “Porque letra mata, mas o Espírito vivifica.” II Coríntios 3:6. Como amar o próximo como a nós mesmos? Como não cobiçar o carro do vizinho? A forma de aplicar isso à vida é aquilo de que trata a revelação da graça no Novo Testamento. Poder caminhar com o próprio Deus para que Ele dirija as nossas vidas cada vez mais profundamente nos Seus caminhos e pensamentos.
 
“Bom é que o coração se fortifique com graça.” Hebreus 13:9
 
Os nossos corações não são firmados vivendo sob legalismo. O nosso coração é firmado em Cristo pela graça, e essa graça ensina-nos a viver justamente.
 
(Não) “transformam em libertinagem (licença para pecar) a graça de nosso Deus” Judas 1:4
 
(Uso aqui a palavra moderna “licença” – licence, na tradução inglesa- , derivada do grego “licenciosidade”, porque esse é o sentido original do grego. Literalmente: “Não transformem a graça de Deus em licenciosidade”, definida como uma vida sem restrições morais, especialmente s*xualmente.) Quando ele escreveu para não transformarmos a graça de Deus numa licença para pecar, isso também significa que temos uma responsabilidade como administradores da graça.
 
É como um pai que entrega as chaves do carro ao filho adolescente por um dia. Com a graça vem a expectativa de que o jovem use esse carro de forma correta e legal, consciente de que o carro não lhe pertence. A graça traz sempre responsabilidade acompanhada de prestação de contas. Sempre. A graça é favor imerecido e capacitação, mas também implica responsabilidade perante aquele que concedeu essa graça.
 
Isto coloca a responsabilidade sobre nós, para vivermos de dentro para fora, em vez de obedecermos a um conjunto externo de regras.
Hebreus 10:15-17 revela isto: “Esta é a aliança que farei com eles: escreverei as minhas leis nos seus corações e nas suas mentes.”
 
Ele teve de nos tornar completamente novos, recriados pelo Seu Espírito, para fazer isso. O Antigo Testamento provou que Ele não podia simplesmente dar mandamentos e esperar que pecadores obedecessem. Para resolver esse dilema, Ele teve de recriar completamente o espírito humano pelo Seu Espírito através da cruz e da ressurreição, para que a própria natureza da pessoa passasse a ser fazer coisas piedosas. Assim, agora, a nossa própria natureza contém as leis de Deus. Não a letra da lei, mas o Espírito da lei — a intenção.
 
A lei escrita no meu espírito diz-me para amar o meu vizinho idoso como a mim mesmo. Mas como fazê-lo? De repente, sinto-me impelido a ajudá-lo a empilhar a lenha que ele está lentamente e com muito esforço a transportar para o inverno. ESSA aplicação da lei é aquilo que o Pai fez. Ele escreveu a Sua lei, os Seus caminhos, a Si mesmo, nos nossos corações, para que possa levar-nos a aplicar o mandamento ao vizinho e à sua lenha, e talvez noutro dia a fazer algo gentil por um colega de trabalho, e noutra ocasião a dar uma gorjeta maior do que a esperada a uma empregada de mesa. Quando percebemos que fomos libertos do legalismo externo, podemos viver de dentro para fora, perguntando ansiosamente ao Pai e ao Senhor como querem aplicar os Seus caminhos nas nossas vidas.
 
Que vida emocionante temos em Cristo, e quanta liberdade — e também a responsabilidade que acompanha essa liberdade.
 
Novo tema na próxima semana, até lá, bênçãos,
 
John Fenn
cwowi.org e escrevam-me para [email protected]
 

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A Lei Mosaica não foi feita para os justos, 2/3

6/20/2026

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The Mosaic Law wasn't made for the righteous, 2/3
A Lei Mosaica não foi feita para os justos, 2/3
 
Olá a todos,

Na semana passada partilhei a escritura que diz que “a lei não foi feita para o justo”. O resto desse versículo diz: “mas para os ímpios e pecadores, rebeldes e desobedientes…”
 
Partilhei que o propósito da lei, segundo Romanos 3:19, é que Deus deu a lei para mostrar à humanidade que éramos pecadores. Paulo explicou que não saberia o que era a cobiça se a lei não dissesse “não cobiçarás”. O que Paulo explica em Romanos 7 é que a lei é boa porque define o pecado para nós — o que significa que não foi feita para os justos, mas para os pecadores, para lhes mostrar o que é o pecado. Ele escreveu aos Gálatas dizendo que, se Deus pudesse ter dado uma lei capaz de conceder vida eterna, então a justiça teria vindo pela lei.
 
Vamos retomar a partir daí
Em Tiago 2:10 ele disse: “Se viverdes pela lei e quebrardes apenas 1 mandamento, sois culpados de quebrar toda a lei.” Para o judeu, se quebrasse 1 das 613 leis, ainda assim tinha de ir fazer um sacrifício, por mais pequena que fosse a infração. Culpa é culpa, quer fosse apanhar lenha ao sábado, quer fosse assassínio. Quebras uma, quebraste todas.
 
Qualquer pessoa que tenha vivido sob alguma forma de “lei” ou legalismo consegue identificar-se com esta afirmação. Quer tenhas tido um pai muito rígido que esperava perfeição absoluta, quer uma igreja onde era esperado que desempenhasses a tua função, mas recebias culpa e condenação, conheces o legalismo. A característica do legalismo é que nunca vê o bem que estás a fazer; vê apenas aquilo em que falhaste. Na semana passada partilhei como o meu pai me arrancou da cama às 23h para ir despejar o lixo, mas não viu que eu tinha feito os trabalhos de casa, limpo o quarto, alimentado o cão e ajudado o meu irmão a arranjar um brinquedo. Ele só viu que eu tinha violado aquela uma “lei”, por isso era culpado de tudo. Eu não era um filho perfeito.
 
Um pastor pode ignorar as tuas ofertas, o teu voluntariado, o facto de seres uma boa pessoa que tenta viver uma vida santa o melhor que consegue, apenas para reparar que faltaste ao culto de quarta-feira à noite e condenar-te pela falta de assiduidade. Isso é viver debaixo da lei. Se quebras 1 regra, és culpado de tudo. Nada de bom é reconhecido; o foco está no que fizeste de errado segundo essa lei — a dos teus pais, a da tua igreja.
 
A lei só é boa para nos mostrar que pecámos. Em Gálatas 3:11-12 Paulo diz que a lei apenas condena a pessoa, portanto “a lei não procede da fé”. É por isso que não consegues ser forte na fé, ter a paz de Deus e sentir-te próximo d’Ele enquanto vives uma vida cristã legalista. Viver segundo uma estrutura legalista externa não é fé. A fé flui do espírito interior.
 
Paulo continua a escrever em Gálatas 3 que a lei atuou então como um professor, um tutor, para nos conduzir, mostrando-nos que nunca poderíamos ser perfeitos, apontando-nos para a perfeição encontrada em Cristo. Quando um estudante faz testes, o objetivo é 100%. Mas, algures entre o jardim de infância e a graduação na adolescência ou início dos 20 anos, vai ter notas inferiores a 100%. Quer seja em testes, assiduidade, comportamento ou falha de alguma forma, isso acontece enquanto se está sob tutela. No Novo Testamento isso chama-se “a maldição da lei”. Pecas, és culpado e não consegues escapar. Estás preso. É uma maldição viver assim: nunca perfeito, o bem nunca visto nem reconhecido, o teste “corrigido a vermelho” pelo tutor.
 
Gálatas 3:13: Porque ninguém é perfeito, e Jesus foi o primeiro homem a viver perfeitamente, Ele é digno e capaz de remover a penalidade de falhar a lei — sendo a maldição a penalidade pela desobediência. Portanto, se tens Cristo, tens o remédio. A lei não foi feita para os justos.
 
Nos versículos 24-26 Paulo escreve que a lei é, portanto, um tutor, mas depois de chegar a fé em Cristo já não estamos sob o tutor, porque fomos feitos filhos do próprio Deus. Em termos modernos, poderíamos dizer que uma criança está na escola a aprender o ofício do pai, mas quando termina os estudos é recebida no negócio da família, deixando para trás essa escolaridade, embora utilizando as lições aprendidas enquanto esteve sob a autoridade do tutor. A lei mostrou-nos como precisamos de Jesus, mas uma vez que temos Jesus já não precisamos da lei para nos mostrar o caminho — temos o próprio Jesus!
 
Cristãos a regressarem à lei
Em Atos 15, quando os apóstolos e líderes em Jerusalém se reuniram para considerar as afirmações de Paulo de que Deus estava a derramar o Seu Espírito sobre os gentios, mesmo sem estes obedecerem à lei mosaica, discutiram se deveriam exigir que eles se tornassem “crentes messiânicos” — obedecendo à lei de Moisés. Pedro opôs-se fortemente a isso, dizendo no versículo 10: “Porque tentais a Deus, pondo sobre eles um jugo que nem nós nem os nossos pais pudemos suportar?” Também lhes recordou que o próprio Deus derramara o Seu Espírito sobre a casa romana de Cornélio em Atos 10. Porque haveriam eles de lutar contra Deus?
 
Porque tentar a Deus colocando um jugo sobre os seus pescoços que nem nós nem os nossos pais conseguimos suportar? És um cristão a viver sob legalismo? Não consegues suportá-lo e testas a paciência de Deus, pois Ele providenciou o Seu Filho como remédio para a lei externa, mudando a nossa própria natureza para que desejemos andar com Deus em obediência. A obediência passou a vir de dentro para fora, em vez de obedecer de fora para dentro.
 
Em Gálatas 3:1 Paulo chama “insensatos” aos da Galácia que, tendo começado no Espírito pela fé em Cristo, voltaram à lei mosaica, dizendo também que tinham sido “enfeitiçados” (manipulados) por aqueles que os trouxeram de volta para debaixo da lei mosaica. Paulo pergunta no versículo 5: Quando Deus faz milagres entre vós, fá-lo pela prática da lei ou pela fé e pelo Espírito?
 
A grande revelação de Paulo, confirmada por Deus através de milagres extraordinários no seu ministério, discutidos em Atos 15, foi que Cristo cumpriu a lei. Contudo, o debate de Atos 15 tem sido retomado e discutido desde então: Até que ponto, se é que deve, um cristão viver pela Lei? Como é que um Cristão equilibra a lei e a graça? A resposta directa é que a lei já não é o nosso tutor; a graça é.
 
Como fazer isso, caminhar nessa liberdade e equilibrar lei e graça, será o tema da próxima semana. Até lá, bênçãos,
John Fenn
cwowi.org e escreva-me para [email protected]
 

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A Lei Mosaica não foi feita para os justos, 1/3

6/13/2026

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The Mosaic law wasn't made for the righteous, 1/3
A Lei Mosaica não foi feita para os justos, 1/3

Olá a todos,
 
Quando eu era Ministro na Universidade do Colorado, em Boulder, tive contacto com uma igreja local da Church of Christ que ensinava que, a menos que uma pessoa fosse batizada nas águas na igreja deles, não iria para o céu. A única concessão era que talvez fosse aceitável se a pessoa tivesse sido batizada numa das outras igrejas Church of Christ da mesma denominação, mas mesmo assim, disseram-me que, quando essas pessoas se mudavam para Boulder, precisavam de ser batizadas novamente, só por precaução.
 
Os carismáticos têm as suas próprias regras religiosas. São particularmente bons a usar medo e fórmulas. O medo é usado quando dizem coisas como: “Se faltares ao culto de amanhã, vais abrir uma porta ao diabo.” Na verdade, podem preencher o espaço em branco com qualquer coisa: se faltares ao culto de amanhã “as tuas orações não serão respondidas”, “não vais ser curado”, “não vais conseguir pagar as contas”, e por aí fora.
 
As fórmulas incluem: declarar e decretar, ou colocar o pano de oração ungido do pregador televisivo debaixo da almofada durante 7 dias e no 8.º dia enviá-lo de volta juntamente com a tua melhor oferta, e então as tuas orações serão respondidas. Ou então os chamados tribunais do céu, ou “pleitear o sangue” (em vez de simplesmente nos aproximarmos com confiança do trono e/ou obedecermos a Jesus expulsando demónios). Existem todo o tipo de fórmulas criadas pelo homem que permitem às pessoas colocar a fé naquilo que estão a fazer, em vez de a colocarem no Senhor.
 
Jesus e os fariseus
É geralmente aceite que a Lei de Moisés contém 613 mandamentos. Os fariseus (em hebraico: “os separados”) formaram-se como uma seita judaica cerca de 150 anos antes de Jesus, como parte de um avivamento do judaísmo sob domínio grego. Na época de Jesus, já tinham acrescentado cerca de 800 leis próprias para determinar como a Lei de Moisés deveria ser praticada. Jesus nunca teve qualquer problema com a Lei de Moisés; apenas com a lei dos fariseus.
 
Em João 5:9-10, o homem que tinha estado paralítico durante 38 anos foi curado e recebeu a ordem de pegar na sua enxerga e andar. O versículo diz especificamente que era sábado e que era ilegal fazer o trabalho de carregar uma cama ao sábado. Essa lei não fazia parte da Lei de Moisés, mas sim da lei dos fariseus. A Lei de Moisés, em Êxodo 20:8-11, limita-se a dizer que não se deve trabalhar. Foram os fariseus que debateram o que constituía “trabalho” e determinaram que carregar um colchão de dormir ao sábado era contra a lei.
 
Do que eles eram culpados era de elevar as suas próprias leis acima da Lei de Moisés, e é precisamente isso que Jesus condenou — e continua a condenar até hoje — em todas essas leis criadas pelos homens. Jesus afirmou ainda, em Marcos 7:9 e 13, que eles elevavam as suas tradições acima da Lei de Moisés para poderem guardar as suas próprias regras e ignorar a Lei de Deus, tornando assim a Palavra de Deus sem efeito. Pensem nisso: regras feitas pelo homem tornam a Palavra de Deus sem efeito. Se praticarmos fórmulas humanas, anulamos a Palavra (Jesus) na nossa vida — porque Ele e o Espírito estão em perfeita concordância. Se fazemos algo que não vem d’Ele, o Espírito não está connosco nisso.
 
Paulo escreveu a Timóteo: “Sabendo isto: que a lei não foi feita para o justo...” I Timóteo 1:9
Paulo afirma que a Lei de Moisés não foi feita para os justos. Então porque foi dada?
 
Romanos 3:19 diz-nos que a lei foi dada: “...para que toda a boca seja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.” Paulo prossegue explicando que o pecado já existia no mundo desde Adão até Moisés, mas Deus ainda não tinha definido para a humanidade o que era pecado e o que era justiça. Ele escreve sobre isso alguns capítulos mais à frente, em Romanos 5:12-14:
 
“Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram (em Adão); pois antes de ser dada a lei, o pecado já estava no mundo. Mas o pecado não é levado em conta quando não existe lei. Todavia, a morte reinou desde o tempo de Adão até o de Moisés, mesmo sobre aqueles que não cometeram pecado semelhante à transgressão de Adão …”
 
Paulo continua a explicar que a lei fornece o conhecimento do pecado. O ponto que ele queria transmitir a Timóteo era que, uma vez salvos desse pecado, a lei já não é para nós. Agora somos uma nova criação em Cristo; sabemos de que fomos salvos.
 
O argumento de Paulo em Romanos 7:7 é que a lei definiu o pecado: “...eu não conheceria o pecado senão pela lei. Eu não saberia o que é cobiçar, se a lei não dissesse: Não cobiçarás...”
 
Regras familiares, regras da igreja
Eu teria cerca de 9 ou 10 anos quando fui arrancado da cama, puxado pelo braço de um sono profundo, para ficar diante do meu pai furioso: “Eu disse-te para despejares o lixo antes de eu chegar a casa e não o fizeste! Agora vai imediatamente à cozinha e despeja o caixote do lixo!”
 
O meu pai costumava deixar-me tarefas para fazer quando saía de manhã para o trabalho e eu para a escola, esperando que estivessem feitas quando regressasse a casa. Naquele dia, esqueci-me do lixo. Usando a ilustração de Paulo: eu nunca teria sabido que era minha responsabilidade despejar o lixo se o meu pai não me tivesse mandado fazê-lo. Se eu tivesse visto o caixote cheio e, por iniciativa própria e bondade de coração, o tivesse despejado, nunca teria conhecido a lei nem a ira da “lei do lixo” do meu pai, lol.
 
Quando ele me mandou cortar a relva do jardim e eu não o fiz naquela outra vez, também recebi a sua ira (justa). SE eu tivesse cortado a relva porque vi que estava demasiado alta e precisava de ser cortada, nunca teria conhecido a “lei da relva”. Nunca teria experimentado a ira dele. A ira que ele demonstrou por eu não ter despejado o lixo também era uma ira justa — uma ira que eu nunca precisaria de conhecer, e nunca teria conhecido, se simplesmente tivesse tomado a iniciativa de despejar o lixo.
 
Do ponto de vista do Senhor, o pecado já existia no mundo, mas Ele ainda não tinha definido para a humanidade o que era pecado. Mais tarde, Paulo disse em Atos 14:15-17:
 
“…vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra, o mar, e tudo quanto há neles; O qual nos tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos. E contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-nos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os nossos corações.”
 
Atos 17:30: “...Deus não tendo em conta os tempos da ignorância...” A versão King James diz que Deus “fechou os olhos” à ignorância deles — mas agora ordena que todos se arrependam.
 
A lei não foi feita para uma pessoa justa, mas para os sem lei, os ignorantes, os que não O conhecem.
 
Voltando à minha infância: muitas vezes me diverti muito com o meu pai. Lutávamos, acampávamos, ele ensinou-me as estrelas, como apertar a mão de um homem com firmeza, engraxar os sapatos, olhar as pessoas nos olhos, e muito mais. Eu vivia na sua graça 99% do tempo. Eu conhecia o seu verdadeiro carácter. A ira dele quando eu fazia algo errado não era a sua natureza, mas uma ira justa. O que Paulo dizia é que aprender a lei lhe ensinou o que era certo e errado. A lei, que devia mostrar o que é a vida, também lhe revelou a sua natureza pecaminosa. Quando eu quebrava a “lei do lixo” ou a “lei da relva” do meu pai (lol), aprendia o que era pecado (aos olhos dele) — aprendia que, 99% do tempo, eu estava certo e apenas tinha uma compreensão básica do “pecado” segundo o meu pai.
 
Antes de conhecermos o Senhor, muitos de nós éramos ignorantes. Sabíamos que não devíamos bater nos irmãos e sabíamos que era errado mentir. E dentro de nós sabíamos que andávamos à procura das grandes respostas: porque estou aqui? Qual é o meu propósito? E também: o que há de errado comigo para continuar a fazer o que é errado? Tornámo-nos conscientes do certo e do errado. Alguns de nós, que fomos à igreja, aprendemos os 10 Mandamentos, reforçando ainda mais essa consciência do pecado.
 
Paulo escreveu o seguinte em Gálatas 3:21: “Então, a lei opõe-se às promessas de Deus? De maneira nenhuma! Pois, se tivesse sido dada uma lei que pudesse conceder vida, certamente a justiça viria da lei. ²² Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, a fim de que a promessa, que é pela fé em Jesus Cristo, fosse dada aos que crêem.”
 
Se pudesse ter sido dada uma lei que produzisse vida, Deus teria dado essa lei. Extraordinário. Isso significa que não encontramos justiça na lei, porque nenhuma lei torna alguém justo. Pensem em todos os rituais, todas as fórmulas, todas as regras feitas pelo homem que criaram para vocês próprios ou seguiram porque alguém insistiu, para ganhar o favor de Deus ou levá-Lo a fazer alguma coisa por vocês. Ou ainda, coisas feitas para se tornarem mais “dignos” ou “justos” diante d’Ele.
 
SE existisse uma lei — algo que pudéssemos fazer — capaz de nos colocar em posição correta diante de Deus, então Ele teria dado essa lei. Em vez disso, na Sua sabedoria, revelou e definiu o pecado através da Lei de Moisés (sendo os 10 Mandamentos o resumo desses 613 mandamentos), para que todos fossem considerados culpados, e para que todos os que recebessem o remédio pudessem ser feitos justos: a fé em Jesus Cristo.
 
E é aí que continuaremos na próxima semana, para ver o que a lei realmente faz de bom por nós e como os nossos corações são firmados em Cristo Jesus.
 
Até lá, bênçãos,
John Fenn
cwowi.org e email: [email protected]
 

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Esquecendo o passado e seguindo em frente, 3/3

6/6/2026

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Forgetting the past and moving forward, 3/3
Esquecendo o passado e seguindo em frente, 3/3
 
Olá a todos,

Eu era — e continuo a ser — o meu pior inimigo. Antigamente culpava-me por isso, mas agora estou grato. Compreendo Paulo, que fez referência aos seus pecados do passado em Romanos 7, I Coríntios 15, Gálatas 1, Filipenses 3 e I Timóteo 1, enquanto também escreve acerca da grande misericórdia que o Senhor lhe mostrou. Penso que nos conseguimos identificar com isso.
 
Ser o meu próprio pior inimigo significa que me examino constantemente: os meus pensamentos, as minhas ações. Não ando à procura de pecado, mas vou “analisando” o meu espírito enquanto falo ou escrevo, atento a qualquer ofensa ou erro que possa ter cometido. Por causa disso, situações passadas em que não tive oportunidade de corrigir algo com alguém, ainda me incomodam hoje.
 
Há quase 30 anos, estávamos a jantar com amigos num restaurante e, ao ver uma amiga pedir peixe-espada, fiz um comentário sobre como o peixe-espada é uma espécie ameaçada e sobre como a indústria alimentar procurava alternativas. Fiquei TÃO angustiado por dentro, porque fiz aquele comentário em parte para a alertar de que estava a comer uma espécie ameaçada, e isso deixou-a desconfortável. Não era o meu lugar fazer aquilo e, até hoje, se a visse, pedir-lhe-ia desculpa por esse comentário de há tantos anos. (Neste momento nem sei se ela ainda está viva, por isso talvez tenha de pedir desculpa no céu.) Eu sou o meu próprio pior inimigo e tenho a certeza de que ela me perdoou, mas na altura percebi pela sua expressão que ficou magoada com o que eu disse, no entanto foi demasiado graciosa para responder.
 
Usei esse pecado para desenvolver uma maior sensibilidade em relação à forma como as minhas palavras e motivações podem elevar-me a mim próprio enquanto diminuem os outros. Usei-o para vigiar o orgulho e o sarcasmo que fere, antes de saírem da minha boca. O pecado e a graça do perdão permanecem juntos na minha memória desse acontecimento.
 
Podemos perguntar-nos porque é que o Senhor nos escolheu.
Um romano chamado Vegetius, que morreu no ano 383, estudou porque é que o exército romano do primeiro século era invencível. Na época dele, 300 anos depois, o exército estava cheio de aristocratas, filhos de oficiais do governo que nunca tinham tido um trabalho sério na vida. Tinham crescido no luxo e, em meados dos anos 300 d.C., o exército tinha-se tornado fraco e o Império estava a desvanecer-se como resultado disso.
 
Ele descobriu que, no primeiro século, o exército de Roma era composto por homens que tinham tido vidas duras. Procuravam deliberadamente homens que trabalhassem nos campos e na indústria, que tivessem crescido a trabalhar em todos os tipos de clima, brigões, lutadores, os elementos mais rudes da sociedade. Precisavam de homens capazes de suportar o frio gelado do inverno e o calor do verão, habituados a dias longos e difíceis. Precisavam de homens capazes de trabalhar com fome e sede. Esses eram os melhores soldados e essa era a principal razão pela qual o exército romano era o melhor do mundo.
 
Paulo escreveu a Timóteo para “suportar as dificuldades como um soldado”, em II Timóteo 2:3-6, e para treinar como um atleta e trabalhar como um agricultor.
O Senhor escolheu-te propositadamente porque conheces o pecado. A palavra “dificuldades”, no versículo 3, é a palavra grega “sunkakopatheo”. A palavra “sun” ou “syn” significa “com”, e “kakopatheo” significa “sofrer dano”. Paulo está a dizer a Timóteo para “sofrer dano comigo” como um soldado em Cristo. Tens algum amigo próximo que consiga identificar-se com as tuas dificuldades, passadas ou presentes, como Paulo e Timóteo? Paulo diz depois: “Nenhum soldado se embaraça com os negócios desta vida, para agradar àquele que o alistou como soldado.”
 
A palavra grega para “negócios” (desta vida) é “pragmateia”. Daí vem a palavra inglesa “pragmatic”. Significa “as transações diárias da vida”; por outras palavras, nenhum soldado se preocupa com a vida que um civil leva. A vida de um soldado é diferente; está focada na vida de soldado. Vegetius também descobriu que os exércitos romanos do primeiro século acampavam fora das cidades e os soldados não podiam entrar nelas, exceto em missão. Se vês um cristão a viver como o mundo, perdeu — ou nunca soube — que é diferente; aos olhos do Senhor não é um civil. Timóteo teria compreendido estas imagens imediatamente; aliás, Paulo disse no versículo 7: “O Senhor te dará entendimento em tudo o que estou a dizer.”
 
A razão pela qual o Senhor te escolheu é porque tiveste uma vida difícil.
Lembrarmo-nos do nosso passado sem também nos lembrarmos da Sua misericórdia e graça para connosco é tormento. As duas coisas têm de permanecer juntas, com o propósito de nos mantermos focados na tarefa que temos diante de nós. Somos como soldados, atletas e agricultores para o Senhor. Já não somos apenas civis a viver a vida como queremos. Para nós, que temos Cristo em nós, existe a consciência de que O levamos connosco para todo o lado: trabalho, lazer, entretenimento, tempo livre, férias, tempo em família. Cristo está em nós e temos de viver conscientes disso. Isso ajuda-nos a manter o foco. Para nós, na realidade do Novo Testamento, não existe algo “secular”. Tudo o que somos, tudo o que temos, tudo o que fazemos é sagrado. Cristo está em nós; tudo o que temos vem d’Ele.
 
Paulo disse a Timóteo para suportar as dificuldades com ele como um soldado, sem se embaraçar nas coisas civis da vida, focado em Deus e no Seu povo, para agradar Àquele que o convidou a ser soldado. No primeiro século, os soldados tinham patrocinadores — diríamos hoje, recrutadores. Eles eram responsáveis por encontrar e recrutar os melhores soldados possíveis para Roma, vindos dos segmentos mais duros da população. Paulo diz a Timóteo que o Senhor é o seu recrutador e patrocinador. O mesmo se aplica a nós. Jesus recrutou-nos para o Seu corpo porque tivemos vidas difíceis; conhecemos o pecado. Conhecemos as dificuldades. Conhecemos a dor. Jesus procurou-nos. Propositadamente. Com um plano. Com um propósito. Com um futuro.
 
Paulo também disse a Timóteo para treinar como um atleta.
Timóteo também teria compreendido imediatamente esta exortação. Um atleta do primeiro século vinha da rua para o ginásio. Tirava toda a roupa, tal como nós fomos despidos da nossa própria justiça. O treinador massajava então azeite na pele completamente nua do atleta e depois enviava-o para a sauna — calor seco — para que o óleo penetrasse e os músculos relaxassem. Depois voltava à marquesa para mais óleo e regressava à sauna.
 
Antes do treino ou da competição, o treinador espalhava então um azeite hidrogenado sobre a pele do atleta. Este gel espesso, semelhante a banha, cobria o atleta da cabeça aos pés com o propósito de o tornar escorregadio para o adversário. Se ainda não percebeste, o Senhor é o treinador, o óleo é o Espírito Santo, e o óleo espesso é a unção que vem sobre nós quando estamos numa situação difícil — é uma unção temporária, uma presença de Deus, para nos ajudar a atravessar a batalha.
 
Depois da competição, o atleta voltava ao ginásio e o treinador raspava todo aquele óleo espesso para ser limpo e reutilizado na batalha seguinte. Depois regressava à sauna, após uma última massagem e uma nova camada de azeite normal. No versículo 7 diz que o atleta deve “competir segundo as regras”. Pedro escreveria* por esta mesma altura que devemos acrescentar à nossa fé excelência moral, conhecimento, domínio próprio, perseverança nesse domínio próprio, piedade — que é uma qualidade geral de vida em Cristo — amor fraternal e amor incondicional. Essas são as “regras”, as questões de carácter. Não há batota no Senhor; temos de ser íntegros, morais e éticos. Somos como o atleta: despidos das nossas próprias roupas e revestidos do Espírito, do Espírito Santo e da presença de Deus — a corrupção comprometeria essa cobertura. *II Pedro 1:5-8
 
Uma amiga missionária no Cairo contou-me a história de uma jovem que conhecia. Essa jovem, no Cairo, Egito, tornou-se cristã e o pai descobriu-o. Ele bateu-lhe, despiu-a completamente e expulsou-a de casa. Ela correu nua pelas ruas durante vários quarteirões até casa de amigos. Quando entrou pela porta, estava profundamente envergonhada pela sua nudez, mas os amigos dela e as pessoas na rua testemunharam que ela estava, na verdade, vestida com uma túnica branca, fluida e luminosa, e que não estava nua de todo. À medida que a notícia se espalhou, percebeu-se que nenhuma pessoa que a viu correr pela rua viu a sua nudez; todos a viram vestida com aquela túnica branca de luz. Essa túnica desapareceu quando a amiga lhe deu roupa sua e ela se vestiu em privado. Estamos vestidos de luz. Estamos revestidos com o óleo do Espírito.
 
Sim, o Senhor é o nosso Recrutador e o nosso Treinador. Esquecemos aquilo que éramos, exceto pelas lições aprendidas; guardamos essas memórias com apreço e suportamos tempos difíceis, mas agora com a presença de Deus em nós, sobre nós e à nossa volta.
 
A última coisa que Paulo disse foi para trabalhar como um agricultor E comer os vegetais que estamos a plantar. Por outras palavras, praticar aquilo que pregamos. É trabalho duro, reconheceu Paulo.
 
Estas coisas são processos que nos ajudam tanto a esquecer como a lembrar o nosso passado. Vamos ter sucesso e vamos falhar. Aprendemos com o nosso passado, e cada memória do passado tem de estar ligada à memória do Seu amor, graça e perdão. Acredita nessa graça e nesse amor que Paulo descreveu em Efésios 3:20 como estando “além do conhecimento” (da nossa mente).
 
Prossegue em direção ao alvo da soberana vocação em Cristo... é um processo e nenhum de nós é perfeito nem já o alcançou. Mas continuamos a avançar...
Novo tema na próxima semana. Até lá, bênçãos,

John Fenn
cwowi.org e escrevam-me para [email protected]
 

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