Sobre demónios, 1 de 3. Como funcionam.
Olá a todos,
Estava numa viagem ministerial no México, a pregar numa pequena igreja nas montanhas. Os seus corações eram puros no amor e temor ao Senhor, embora tivessem sido mal-ensinados.
Na fila de oração após o culto, praticamente todas as mulheres vieram à frente para receber oração, e a grande maioria disse que queria oração para se livrar de demónios, os quais culpavam pelas suas doenças. Muitas tinham dores de estômago, outras tinham dores nas articulações — tudo era atribuído a demónios. Ao impor as mãos sobre elas para comandar a cura, percebi que a vasta maioria não tinha demónios de facto — apenas precisavam de ser curadas. Perguntei-me por que motivo pensavam que todas as doenças provinham de demónios.
A influência dos demónios
Nos evangelhos há apenas 19 ou 20 casos de indivíduos que foram curados por Jesus (dependendo de como se conta). Estes vão desde a sogra de Pedro, no início do ministério de Jesus (Marcos 1:29-30), até à cura da orelha de Malco, cortada por Pedro no Jardim do Getsémani (Lucas 22:49-51 e João 18:10-11).
Ainda mais surpreendente é o facto de haver apenas 7 casos de indivíduos libertos de demónios ou da sua influência nos evangelhos. (Há passagens que mencionam multidões a serem curadas e/ou libertas, como Marcos 1:34, mas estou a referir-me a casos individuais.)
É nesses relatos individuais que conseguimos ver com algum detalhe a interação entre Jesus e os demónios, e como Ele lidava com eles. A interação mais reveladora talvez seja a que se repete 3 vezes (Mateus 8:28-34, Marcos 5:1-20 e Lucas 8:26-39) com o homem possuído por uma Legião. Este homem tinha tantos demónios que Jesus dirigiu-se ao líder deles, chamado Legião. Uma legião romana tinha 2.000 soldados, pelo que este homem estava possuído por muitos demónios. (Mateus 8:28 diz que eram dois homens, mas Marcos e Lucas focam-se apenas naquele que tinha a Legião.)
O homem que foi liberto vivia na região grega dos Gadarenos — uma zona greco-romana com dez cidades, chamada Decápolis, no lado leste do Lago da Galileia, para onde Jesus foi ensinar. A primeira coisa que notamos é que "o homem tinha um espírito impuro". Um espírito impuro podia significar um demónio, mas também pode indicar mais especificamente um espírito sexualmente impuro. O facto de ele andar nu e de se cortar sugere essa interpretação. Lucas 8:35 diz que, depois de ser liberto, as pessoas ficaram espantadas por vê-lo "vestido e em perfeito juízo".
O demónio principal chamava-se Legião. Aqui vemos um dos aspetos dos demónios: são identificados pela sua função. Legião comandava muitos demónios. Um espírito de surdez causava surdez. Um homem cego e mudo foi liberto de um espírito cego e mudo em Mateus 12:22. Em Lucas 13:11, uma mulher curvada durante 18 anos tinha um espírito de enfermidade. Os anjos têm nomes, mas os demónios, despidos de tudo, são conhecidos pela sua função. Satanás significa “adversário” em hebraico e grego (hassatan e satana, respetivamente).
Os demónios são territoriais
Em Marcos 5:10, o demónio chamado Legião implora a Jesus que não os envie para fora daquela região. A maioria de nós sabe que há zonas nas cidades onde acontecem coisas más. Também conhecemos as zonas ricas e arrogantes. Existem espíritos que habitam em determinadas áreas e, quando se concentram num lugar, até os descrentes podem sentir a atmosfera espiritual daquele local. Os demónios gostam de permanecer em zonas que conhecem, porque conhecem as pessoas ali. Querem exercer influência no mundo natural.
Legião implorou a Jesus que não os expulsasse da região, e Jesus acedeu. Contudo, Jesus também os enganou ao permitir que entrassem nos porcos, que de seguida se suicidaram — isto devolveu os demónios ao mundo espiritual sem acesso a qualquer pessoa. É muito possível que esses mesmos espíritos ainda estejam na margem leste do Mar da Galileia até hoje, a tentar influenciar ou entrar em pessoas com pecados sexuais.
A Barb e eu estávamos a regressar a casa depois de uma consulta em Tulsa, e para chegarmos à autoestrada tivemos de passar por uma zona da cidade com clubes de strip, bares, etc. Enquanto esperávamos num semáforo, reparei num prédio de tijolo vermelho de um só piso com uma pequena placa que indicava ser um local de encontros para “swingers”. Naquele momento, o Senhor abriu os meus olhos para ver também o mundo espiritual. Vi demónios em pé e sentados à porta daquele edifício. Alguns estavam até sentados no telhado, com as pernas penduradas. Estavam apenas ali, parados ou sentados. Perguntei ao Pai: "O que estão ali a fazer?" Ele respondeu imediatamente: "Estão à espera que o local abra, para verem em quem se podem colar."
Sim, os demónios são territoriais. É isso que vemos no Antigo Testamento como “espíritos familiares”. São espíritos “familiares” com uma família, muitas vezes associados a contactar os mortos em sessões espíritas. (O espírito familiar imita o morto e, por conhecer bem a família, sabe coisas sobre essa pessoa ou os vivos.)
Quando uma pessoa com um espírito familiar se muda para outra região ou país, o demónio vai com ela, levando a influência demoníaca para uma nova nação ou região. É assim que nações inteiras se tornam oprimidas por demónios e “doutrinas de demónios”.
Um espírito familiar pode ter entrado numa família há gerações, e usar um corpo após outro ao longo das gerações — seja com alcoolismo, cancro ou outro — permanecendo com a família tal como preferem certas zonas da cidade. São apenas indivíduos, despidos da justiça, a tentar anular a obra de Deus nas nossas vidas. Não conseguem ler mentes, e livrar-se deles depois de estarem muito tempo num lugar é muitas vezes uma prova de vontade entre eles e a pessoa que tem sido oprimida e assediada.
Jesus também ensinou sobre demónios em Mateus 12:26, 43-45
Em Mateus 12:26, Ele disse: “Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo. Como poderá subsistir o seu reino?”
Temos amigos missionários que observaram feiticeiros a expulsar demónios de uma pessoa, mas o que de facto acontecia era que abriam a porta para um demónio mais poderoso, sob o disfarce de expulsar um menor. Os nossos amigos explicaram que um feiticeiro “curava” uma febre expulsando um demónio, mas três meses depois a pessoa contraía uma doença pior. Perceberam que, ao depender dos demónios, apenas um espírito mais forte tomava o lugar.
Vemos este princípio em Mateus 12:43-45: “Quando um demónio é expulso, vagueia por lugares áridos, procurando repouso, mas não encontra.” Isto mostra que, ao serem expulsos, os demónios voltam ao mundo espiritual, que é “árido” para eles — pois não têm acesso ao mundo natural, onde querem expandir a sua influência e encontrar alívio do tormento do reino das trevas.
Jesus continuou:
“Então (o demónio) diz: ‘Voltarei à minha casa (a pessoa de onde saiu)’ e, ao voltar, encontra-a vazia e limpa (a pessoa foi liberta). Então, (para evitar ser expulso novamente) vai buscar outros sete demónios piores do que ele e todos habitam aquela pessoa, e o estado final é pior que o primeiro…”
Isto mostra que há uma hierarquia no reino de Satanás, assim como no de Deus — pois Satanás não cria, apenas perverte o que é verdadeiro. Um pai pode ter sido pecador, mas o filho pode ser pior — com mais demónios. Assim como há anjos com autoridade sobre nações (como Miguel, em Daniel 12:1, que é responsável por Israel), também há demónios organizados como imagem espelhada, até ao nível de territórios, cidades e bairros.
Estava a ministrar num culto com cerca de 1500 pessoas, e o Pai começou a falar-me sobre uma mulher presente. Disse-me que, em criança, a mãe lhe disse que ela não era bonita nem inteligente, por isso teria de se esforçar muito na vida. Disse-me que a forma como ela interpretou isso na infância tirou-lhe a esperança. Isso levou ao auto-ódio, depois à raiva, depressão e eventualmente pensamentos suicidas. Ele disse-me que ela tinha vindo naquela noite para ser liberta, ou então voltaria para casa e tiraria a própria vida. Ele queria libertá-la. Ao partilhar tudo isto com a congregação, não pedi para levantarem a mão nem para ela vir à frente. Apenas expulsei os demónios em nome de Jesus a partir do púlpito, e pedi ao Pai que a enchesse novamente com o Seu Espírito e curasse as suas emoções — que tinham sido a porta de entrada para os demónios.
Três semanas depois, uma mulher aproximou-se de mim num corredor antes do culto da noite e disse que era ela. Mostrou-me cicatrizes nos braços de tentativas anteriores e de cortes auto-infligidos durante a adolescência. Disse que estava completamente livre, que tudo tinha acontecido como eu descrevera, e agradeceu-me profundamente. Cerca de três meses depois voltei a vê-la e disse que continuava livre e a sentir-se bem.
Mais na próxima semana, mas por agora já há bastante em que pensar! Até lá, bênçãos,
John Fenn
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