Não se trata de irmos para o céu, 2/2 — Pureza, não perfeição
Olá a todos,
Tenho partilhado convosco que o foco da vida no Novo Testamento é a vontade do Pai a ser feita nas nossas vidas, e não um “Senhor, leva-me já daqui!”. Quando o livro de Apocalipse termina, vemos o céu a descer à terra — não a terra a ser levada para o céu. A maior parte do Novo Testamento está centrada no reino dos céus a vir à terra. Tenhamos essa mesma mentalidade.
(Apocalipse 21:2)
“Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome” é assim que Jesus começa o seu ensino sobre o modelo de oração que chamamos a Oração do Pai Nosso.
Tudo o resto nessa oração remete diretamente para, e flui a partir de “santificado seja o teu nome”.
Voltemos ao Jardim do Éden, quando Adão deu nome aos animais. (Génesis 2:18–20) Os rabinos dizem que os nomes que Adão lhes deu resultaram do seu conhecimento do carácter, da natureza e do lugar que cada animal e a sua espécie ocupavam na criação. Fazemos o mesmo hoje; um dos exemplos mais conhecidos é o nome do dinossauro Tyrannosaurus rex, ou “lagarto terrível”, resumindo o seu carácter após observarmos os seus ossos.
Quando Jesus disse “santificado seja o teu nome”, o foco não está num nome específico, mas é usado como um resumo de todos os atributos do Seu Ser. As pessoas distraem-se a discutir qual é o “nome correto” de Deus, não se satisfazendo com “Pai” ou mesmo “Jesus”, perdendo completamente o ponto principal: “santificado seja o teu nome” significa a soma total da Sua natureza e do Seu carácter. O uso de “Pai” resume plenamente o Seu carácter, natureza, amor bondoso e justiça dentro do Seu Ser.
Da mesma forma, somos chamados cristãos, pela primeira vez em Actos 11:26. O título “cristão” significa literalmente “parente de Cristo”, mas no uso comum significa seguidor de Cristo. Com essa identificação, podemos dizer que os atributos de Cristo estão em nós e que fomos separados para o Seu uso. As palavras “santificação” ou “separados para uso” e a palavra “santo” são muitas vezes consideradas sinónimas. Eu diria assim: santo é pertencer ao divino. Santidade é a condição ou estado de ser santo.
Pureza, não perfeição
És santo sem seres perfeito. A pureza está no nosso espírito; a nossa alma está a ser renovada diariamente para pensar mais como Ele; e os nossos corpos foram feitos sacrifícios vivos. “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro (corpos terrenos), para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós.” 2 Coríntios 4:7 declara este mistério. Não se trata de nós. Trata-se d’Ele. Portanto, tira os olhos de ti próprio.
Quando Jesus disse em Mateus 5:38–48, na Sua grande instrução sobre andar em amor com aqueles que não nos amam, concluiu dizendo (na versão inglesa King James): “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celeste.” A palavra “perfeito” no inglês de 1611 significava “maduro, completo”, não como a usamos hoje, significando sem qualquer imperfeição. O grego teleios significa “completo” ou “maduro”. Por outras palavras: “Sede completos/maduros (no amor), como o vosso Pai celeste é completo/maduro (no amor).” Ele está sempre a conduzir-nos para um amor maior dentro do quadro da santidade.
A graça do Pai é tão avassaladora que, quando temos uma revelação da profundidade do nosso próprio pecado, mal conseguimos absorvê-la. A tendência humana é voltar-se para dentro, para os pecados do passado ou do presente, e concluir que estamos condenados ao inferno, apesar das realidades do Novo Testamento. As pessoas acreditam nos seus próprios medos e dúvidas em vez de acreditarem em Deus. Este processo faz parte do crescimento em Cristo que cada um de nós tem de viver. Sim, a Sua graça é esmagadoramente grande. E sim, pecámos e continuamos a pecar, e talvez até lhe tenhamos dito coisas como uma criança pequena a fazer birra aos pais — coisas que nos fazem temer tê-Lo ofendido para além da graça. Mas ser santo tem a ver com a forma como Ele nos recriou e nos colocou na Sua família, não com as nossas imperfeições.
Ele planeou-nos quando ainda estávamos na Sua mente, antes do tempo começar. 2 Timoteo 1:9 diz do Pai: “Ele nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde a eternidade.”
É demasiado tarde para por isto em causa
É como alguém dizer-me que o batismo no Espírito Santo ou as curas já não são para hoje. Tarde demais — eu já recebi o Espírito Santo, já vi olhos cegos abrirem-se, ouvidos surdos e bocas mudas serem restaurados — já estou a viver aquilo que eles dizem que não existe hoje. O mesmo acontece com quem diz que pecou demais e está condenado ao inferno, mesmo amando Jesus de todo o coração. Tarde demais — Ele já recriou o teu espírito, o que significa que Cristo está em ti. Tarde demais — Ele já te fez um dos Seus filhos, parte de uma família real. Tarde demais — Ele viu todos os pecados que alguma vez cometeríamos e, mesmo assim, na eternidade, deu-nos Cristo. Uau.
Esta verdade torna-se clara quando compreendemos: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.
O reino dos céus também é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou.” (Mateus 13:44–46)
Nestas parábolas, Jesus é o homem que encontra um tesouro no campo (o mundo).
Jesus é o negociante que viajou longe, encontrou uma pérola “de grande valor” e depois vendeu tudo o que tinha e a comprou. NÓS somos a pérola de grande preço, comprada por Ele com o Seu próprio sangue. Estás a ver? Já é tarde para nós. Ele já nos salvou desde a eternidade.
Em 1 Coríntios 6:9, Paulo afirma que os injustos (os que não conhecem Jesus) não herdarão o reino de Deus. Depois lista estilos de vida dos injustos, para ter a certeza de que sabiam de quem estava a falar: promiscuidade, adultério, efeminados, os que se deitam com homens, ladrões, bêbados, caluniadores e exploradores — estes não herdarão o reino de Deus. Depois diz:
“E é isso que alguns de vocês eram (provando que ele falava acerca de estilo de vida e não de pecados individuais depois de conhecerem a Cristo). Mas vocês foram lavados, foram santificados (feitos santos), foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.”
(1 Coríntios 6:11). Lavados. Separados. Justificados. Justificação é uma palavra extraordinária. Não significa que uma pessoa foi acusada de um crime e depois teve o registo apagado. É um termo legal que significa que o juiz declara que nunca existiram acusações. Agora somos justificados, escreveu Paulo.
Alguns ficam presos ao que fizeram, mesmo depois de terem conhecido o Senhor. No espírito são puros, mas esse tesouro está numa alma muito sobrecarregada e num corpo habituado a pecar. É exactamente este o processo que Paulo descreve em Romanos 12:1–3, quando diz para apresentarmos o nosso corpo como sacrifício vivo; depois passamos por uma metamorfose ao mudarmos a forma de pensar; e então seremos capazes de comprovar (viver) a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
“Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-vos o Reino.” Lucas 12:32
A declaração de Jesus não teve nada a ver com as nossas imperfeições. Nada disso! O Pai sabe tudo isso, viu tudo isso, providenciou para tudo isso e, mesmo assim, teve prazer em dar-nos o Reino. Pureza, não perfeição. A perfeição virá — Ele tem uma perspetiva de longo prazo. Trata-se, sim, de caminharmos intencionalmente, procurando que a Sua vontade seja feita na terra como é feita no céu, agora mesmo nas nossas vidas. O reino dos céus está agora dentro de nós. Vivamo-lo, demonstrando às pessoas à nossa volta os caminhos do nosso Pai e Senhor.
Concluo com algo que digo há décadas: qualquer pessoa pode dizer que é cristã. Mas o Pai, na Sua sabedoria, fez com que a justiça seja provada dentro de um quadro de relacionamentos. É nesses relacionamentos que vemos a vontade do Pai ser feita na terra como no céu.
Novo tema na próxima semana. Até lá, bênçãos,
John Fenn
cwowi.org — e podem escrever-me para [email protected]
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